É preciso ter o talento de Shakira para ganhar dinheiro com fim do casamento

Mas há produtos financeiros que ajudam a criar uma rede de proteção

“Quando você me deixou, meu bem
Me disse pra ser feliz e passar bem
Quis morrer de ciúme, quase enlouqueci
Mas depois, como era de costume, obedeci”

Os versos da canção de Chico Buarque fizeram sucesso na voz de Maria Bethânia nos anos 1970 quando eu ainda era uma criança.

Tocavam fundo, principalmente, o coração das mulheres.

Era a música preferida da minha mãe que acabara de se separar do meu pai.

Ainda não existia o divórcio. O desquite era motivo de preconceito, ainda mais com três filhos pequenos, como no seu caso.

Assim se deu com milhares de mulheres em situação semelhante. Muitas reconstruíram suas vidas, talvez, ao lado de um novo amor.

Foi um sucesso retumbante. Chico e Bethânia devem ter faturado muitos cruzeiros, a moeda da época. Mas, nada perto do que Shakira deve estar ganhando com seu novo single, cujo videoclipe já superou a marca de 100 milhões de views no Youtube e que também se encontra no topo do ranking de reproduções do Spotify, só para citar dois exemplos.

Em Bzrp Music Sessions #53, Shakira conta detalhes da traição que sofreu e que acabou com seu casamento de 11 anos.

Mas, não se trata de uma canção de lamento ou de “fossa” como diria minha mãe. O sentimento que carrega é de vingança. Com muito ritmo, Shakira fala do ex-marido, da sogra e, lógico, da amante do marido. “As mulheres não choram mais, as mulheres faturam”, diz um verso da canção.

No entanto, para nós mortais, sem tantos fãs, o caminho financeiro, após uma separação, pode ser complexo, cheio de desafios.

Este tema é objeto de estudos e análises por ser mais relevante que a “simples” história de amor traído. Para mulheres, então, pode ganhar contornos fundamentais.

Vou lembrar aqui um caso real: uma advogada que se separou aos 44 anos, com dois filhos já formados. Assim como Shakira, o marido pediu o divórcio para se casar com uma moça bem mais nova.

O argumento usado pelo ex-marido para não pagar a pensão alimentícia era de que a mulher era uma advogada e poderia trabalhar.

Quanto aos filhos, eles já estavam formados. No entanto, nos mais de 20 anos que estiveram juntos, o combinado era de que ela ficaria em casa, cuidando da educação dos filhos.

Esta mulher me escreveu há muitos anos, quando eu ainda era colunista na CBN. Eis minha resposta à época:

Perguntas que você tem que fazer quando ele disser que você tem uma profissão e pode trabalhar:

  1. Quem paga os mais de 20 anos de contribuição previdenciária oficial e privada? Afinal, 20 anos fazem muita diferença em um cálculo atuarial.
  2. Quem paga pelos 20 anos de serviços prestados à família, aos filhos e ao suporte profissional do próprio marido? Nos Estados Unidos, um caso judicial ficou famoso, nos anos 1980, em que a mulher pediu parte do bônus recebido pelo ex-marido, presidente de uma grande empresa. Seu argumento foi de que se casaram quando ele era ainda estagiário e seu trabalho, como esposa, inclusive organizando jantares e o acompanhando em eventos oficiais. Ela foi fundamental para que progredisse na carreira.
  3. Quem pagará a contratação de uma empresa de recolocação no mercado? Se ela ficou tantos anos sem trabalhar, não será uma tarefa simples se recolocar.

Não temos o talento da Shakira para contar com a monetização nas redes sociais.

Por isto, há produtos financeiros que ajudam a criar uma rede de proteção; o que no mercado financeiro é conhecido como “hedge“.

O importante, claro, é se preparar.

Isso pode não ser nada romântico, mas é muito prático. Mesmo que ainda esteja na fase de jantares à luz de velas.