Saiba quais são os boletos que ficarão mais caros em 2022

Sentimos informar, mas vai ficar ainda mais caro ser brasileiro: reajustes atingem IPVA, IPTU, conta de luz, mensalidade escolar e juros básicos

Juros subindo, bolsa caindo, inflação em alta.
– Ilustração: Renata Miwa

Pontos-chave

  • A mensalidade escolar deve ficar 12% mais cara
  • A Aneel calculou o aumento nas contas de luz em 21%, mas o governo estuda medidas para atenuar o impacto tarifário

Depois de um ano marcado pela alta da inflação e dos juros, 2022 começa com o crédito mais caro e com a pressão de reajustes tradicionais de começo de ano como mensalidades escolares, IPTU, IPVA. Veja abaixo os itens que devem atingir seu bolso:

Novo valor do PIS/Pasep

O salário mínimo passa a valer R$ 1.212 em 2022, uma alta de R$ 112, ou 10,18%, em relação ao que era vigente até então. Mesmo assim, não há ganho acima da inflação pelo terceiro ano seguido.

Além de aposentadorias e salários, o novo mínimo vai mudar também os valores de benefícios como PIS/Pasep e seguro-desemprego. O calendário de pagamentos do abono salarial do PIS/Pasep relativo ao ano-base 2020 terá um calendário diferente em 2022.

Antes, a liberação dos recursos começava no segundo semestre e ia até o primeiro semestre do ano seguinte. Por decisão do governo, os valores previstos para o segundo semestre de 2021 serão pagos agora, no início de 2022. Segundo o Ministério do Trabalho e Previdência, o próximo calendário deverá ser aprovado ainda em janeiro.

O valor do abono salarial pode chegar ao valor de até um salário mínimo, de acordo com a quantidade de meses trabalhados. Têm direito ao abono cerca de 23 milhões de trabalhadores.

Juros mais altos

Os juros devem continuar em alta em 2022, em meios aos esforços do Banco Central para segurar a inflação e conter a dívida pública. Atualmente, a Selic está em 9,25% ao ano, maior patamar em mais de quatro anos.

Juro bancário atinge em média 34% ao ano, e é a maior taxa desde 2019. O crédito mais caro encarece o custo dos empréstimos e financiamentos e também aumenta o risco da inadimplência.

A previsão dos analistas consultados pelo relatório Focus, do Banco Central, é que a taxa básica de juros (Selic) continue subindo, encerrando o ano em 11,50% ao ano.

O que muda no empréstimo consignado?

A partir deste ano, volta a valer a regra anterior para aposentados e pensionistas tomarem empréstimos consignados. A chamada margem de empréstimo consignado volta para 35%, sendo 30% para o pagamento de empréstimos pessoais e 5% para despesas com cartão de crédito.

Ou seja, o limite de comprometimento da renda com empréstimos passa a ser menor. Durante a pandemia, essa margem tinha sido ampliada para 40%, mas o prazo de validade terminou em dezembro.

O empréstimo consignado é descontado diretamente do contracheque da pessoa que tomar o empréstimo. A modalidade geralmente apresenta as menores taxas de juros do mercado por conta do baixo risco de inadimplência.

Mensalidade escolar mais cara

Entre os reajustes de preços que devem pesar no seu bolso estão as mensalidades escolares. O aumento deve ser de mais de 12%, podendo superar a inflação oficial de 2021. Vale lembrar que não existe teto para o reajuste e que cada escola tem autonomia para definir as mensalidades.

IPVA sobe 22% em média

No grupo de preços administrados, aqueles cujos reajustes são regulados e autorizados pelo governo, e que costuma ser impactados pela inflação acumulada no ano anterior, estão o IPVA e as tarifas de ônibus, que ficaram congeladas em vários pontos do país em 2021. A queda de ofertas de carros novos no Brasil fez os usados valorizarem mais de 20%. E, como o IPVA é calculado com base no valor do veículo, não tem jeito: o imposto vai ficar bem mais caro em 2022, com reajuste médio de 22%.

IPTU: teto de aumento fica em 10%

Várias prefeituras já anunciaram reajustes no Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU). Em São Paulo, por exemplo, a Câmara Municipal aprovou um projeto que corrige o IPTU pela inflação até 2024 com teto de 10%. Ou seja, se a inflação for acima de 10%, só terá correção até esse percentual.

Reajuste na conta de luz

Outro item que deve continuar caro em 2022 é a conta de luz. Mesmo com reservatórios em recuperação, a tarifa de energia deve seguir elevada. Desde o final de 2021 está em vigor no país a bandeira mais cara do sistema, com adicional de R$ 14,20 por 100 kWh consumidos ao mês. A Aneel decidiu manter acionada em janeiro a bandeira de escassez hídrica.

Somente as medidas emergenciais adotadas para evitar um racionamento de energia neste ano e para socorrer o setor elétrico durante a pandemia deixaram uma conta de, ao menos, R$ 69 bilhões a serem pagos pelos consumidores nos próximos 5 anos.

Em novembro, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) calculou que o reajuste tarifário médio nas contas de luz em 2022 deve ser de 21% para cobrir o rombo gerado pela crise energética em 2021. No entanto, o governo estuda medidas para atenuar impacto tarifário.

Nova lei cambial

Em 2022 devem entrar em vigor novas regras para o mercado de câmbio e para circulação de capital estrangeiro no Brasil. Sancionada no final de dezembro, a nova lei cambial deve reduzir os custos na compra e na venda de dólares, proporcionar maior segurança jurídica e aumentar a conversibilidade do real – ou seja, a facilidade em realizar transações com o resto do mundo.

Entre as mudanças previstas, está limite maior para os viajantes levarem moeda estrangeira em viagens internacionais; abertura de contas em dólar no país e aval para Pix internacional. Para passar a valer, porém, a nova lei cambial ainda depende de regulamentação do Conselho Monetário Nacional (CMN) e do Banco Central.

Atualmente, as contas em dólares estão disponíveis somente para segmentos específicos, como agentes autorizados a operar em câmbio, emissores de cartões de crédito de uso internacional, sociedades seguradoras e prestadores de serviços turísticos.

Reportagem do G1


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