Qual é o peso da sorte e do azar no mundo dos investimentos?

O antídoto contra esta sexta-feira (13) no seu bolso é a educação financeira

Sexta-feira 13: Sorte ou azar nos investimentos?
– Ilustração: Renata Miwa

Pontos-chave

  • Há uma série de fatores em cada decisão que você, o gestor, o assessor de investimento, o analista CNPI e o gerente do banco tomam
  • Você só precisa acertar mais do que errar

Sexta-feira (13) você já sabe: é a data dos horrores, dos azares. Ninguém sabe ao certo como a lenda começou, mas parece que foi derivada da mitologia nórdica, com bruxas amaldiçoando festas para as quais elas não foram convidadas e – pá – o azar assolou o dia. Mas isso vale para os investimentos? Não, e eu posso provar. Vamos lá:

Investimento não é um jogo

Diante de tantas opções de ativos para investir, você pode até se sentir num cassino, com as luzes e cores da roleta, poker, blackjack, slot machines, numa sala fechada e sem janelas. Por outro lado, no mundo dos investimentos, você tem BDRs, ADRs, títulos públicos, títulos privados, ações, contratos futuros, criptomoedas, papéis do agronegócios, ativos ESG… A lista é enorme. Mas veja: em um cassino, você leva dinheiro e, dependendo do jogo, pode até ter um estratégia, senta no banco e joga os dados.

Com dinheiro não basta ter dinheiro. Primeiro, você precisa saber qual é o seu perfil (conservador? Moderado? Arrojado?). Depois, deve conhecer os ativos no mercado. Não precisa ser todos, mas deve saber pelo menos que eles são divididos em classes, que são a renda fixa e a variável e levantar os principais produtos em cada uma delas. Você também precisa ter claro o objetivo do seu investimento, qual é seu prazo para o resgate e quanto você topa perder. Quando esses dois lados (você e os ativos) dão “match”, seu bolso tem mais chance de sucesso, dentro do que você estipulou.

Investir não é apostar

Erroneamente, muitos textos e profissionais do mercado financeiro se referem aos investimentos como “apostas”. O verbo “apostar” vem do latim “apponere”, que significa “colocar” ou até mesmo “arriscar” e, nesse caso, vale tudo, inclusive dinheiro. Por isso que, sempre que você lê o verbo “apostar” atribuído a um investimento, você fica induzindo a achar que, de fato, pode contar com a sorte ou ser vítima do azar.

Veja esta frase: “Gestor aposta na queda do dólar e recomenda a compra da moeda”. Agora acompanhe um jeito mais correto de explicar a mesma coisa: “Depois de analisar diversos cenários e fazer projeções, gestor aponta para a queda do dólar e recomenda a compra da moeda”. Percebe a sutileza? Não existe mágica. Existe análise.

A sorte não existe

Sabe por que a sorte não existe, pelo menos não no mundo das finanças? Porque há uma série de fatores por traz de cada decisão que você, o gestor do seu fundo, o assessor de investimento, o analista CNPI e o gerente do banco tomam. “Não se pode contar com a sorte quando o assunto é dinheiro, investimento ou o futuro financeiro da sua vida. Existe sempre um fundamento em cada decisão”, afirma Renato Breia, sócio-fundador da casa de análise Nord Research.

Existem estratégias para lidar com o dinheiro

Nos últimos dias, os investidores de criptomoedas estão de cabelo em pé. A cotação das moedas digitais está desabando e você pode até achar que foi azar, porque elas estavam em ascensão. Mas nosso repórter Leonardo Guimarães listou seis motivos que mostram o que leva uma cripto a cair. Depois de ler o texto do Léo, você vai perceber que todas as teses têm uma sólida argumentação e que não há espaço para um sétimo motivo, que seria o azar. Por quê? Porque há diversas formas de você investir estrategica, racional e assertivamente. Como? “Tendo uma boa educação financeira, conhecendo os mercados onde se está investindo, entendendo os cenários econômicos e sabendo o que fazer durante um cenário ruim e nas horas boas”, diz Renato. Nada disso depende de questões aleatórias.

Não acredite em milagres. Não no mundo das finanças

Vira e mexe aparece alguém falando que com o mínimo de esforço teve o máximo de lucro. De duas uma: ou a pessoa está mentindo ou ela foi num efeito manada atrás de um ativo da moda, que logo despenca. Ou é até ambos itens juntos. Sabe por quê? “Porque para ter sucesso no portfolio de investimentos depende apenas de você fazer boas alocações”, diz Renato. Muitos gestores vão além e levam como lema a seguinte ideia: “Eu só preciso acertar mais vezes do que erro”. Porque ninguém está livre de perder dinheiro, nem mesmo os profissionais do mercado financeiro. Os cenários mudam, ainda mais em um país imprevisível como o Brasil.

O problema não é o azar, é a ganância

Aqui chegamos em um ponto que você tem que reconhecer que, uns podem ter mais, outros menos, mas todos temos: ganância. Aquela ambição que te cega e você não enxerga riscos óbvios. Renato lembra que muita gente só quer saber quanto vai ganhar em um investimento. Mas veja: até a renda fixa, que nem é tão fixa, tem seus riscos. Não ter conhecimento de quanto se pode perder é falta de informação financeira.

O insider information que ninguém te conta

Digamos que você assistiu uma palestra ou viu um depoimento de um investidor ou de uma investidora que teve grande sucesso financeiro. Daqueles que fizeram dinheiro do nada e em pouco tempo têm carrão, casão, grandes viagens, não repete roupa, o dente é novo, enfim. De novo, de duas, uma: ou essa pessoa está mentindo ou de fato cresceu às custas de informações que você nem mais ninguém tem, a tal da informação privilegiada, chamada no mercado de insider information. Que, aliás, é classificado como crime pela CVM, tanto para quem dá quanto para quem recebe.

Maldição de maio é o maior exemplo de azar no mercado financeiro mundial?

Nossa repórter Isabella Carvalho, que também apresenta o Manhã Inteligente, escreveu uma matéria sobre a tal maldição de maio. Todos os anos, no mês de maio, as Bolsas de Valores despencam. Tanto que existe um ditado em inglês que diz “sell in may and go away”, ou algo como “venda em maio e vá embora”. Azar geral? Não por aqui, onde há uma explicação técnica. A safra de balanços termina no dia 30 de abril de cada ano. Muitas empresas abertas publicam quanto vão distribuir em dividendos até o início de maio, o que influencia nas decisões de venda de ações, contribuindo assim com a superstição do maio maldito.

Percebe? Tudo tem uma explicação e ela não passa nem perto da sorte e do azar. Bem, pelo menos não no mundo dos investimentos.


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