‘Reduflação’: quando o preço do produto é o mesmo, mas a quantidade é menor

Pesquisa feita pelo Reclame Aqui aponta que cerca de 80% dos consumidores percebem a redução de peso, tamanho ou metragem de embalagens e produtos

Reduflação: preços são os mesmos, mas o conteúdo diminuiu
– Ilustração: Renata Miwa

Pontos-chave

  • Pesquisa feita pelo Reclame Aqui aponta que cerca de 80% dos consumidores percebem a redução de peso, tamanho ou metragem de embalagens e produtos

Durante uma ida ao supermercado, você pega aquele item que sempre está no seu carrinho de compras, mas percebe que algo mudou. A embalagem está menor ou a quantidade de produto foi reduzida. O preço? Continua o mesmo. Se você já passou por isso, saiba que esse movimento ganhou um apelido: “reduflação”. A expressão traduz bem o momento que estamos vivendo: um período de inflação que, consequentemente, pressionou empresas a reduzirem o tamanho de seus produtos. Mas, não são só os itens de prateleira que passaram por mudanças. Até mesmo serviços, como TV e internet, têm piorado. 

Uma pesquisa feita pelo instituto Reclame Aqui com mais de 6 mil pessoas apontou que cerca de 80% dos consumidores no país têm percebido o movimento de fabricantes para reduzir o peso, tamanho ou metragem das embalagens e produtos. A maioria, 90,3%, percebe a mudança na hora da compra. A reação de quase 63% dos consumidores é desistir da aquisição.

“O termo reduflação é bastante novo e se refere à adaptação dos produtos diante da menor capacidade de compra dos consumidores. As empresas tendem a reduzir embalagens ou modificar a fórmula dos itens para baratear os custos e manter o acesso dos itens à população. O fenômeno, se é que assim podemos chamar, tem se tornado muito comum durante o avanço da inflação e tem chamado a atenção dos consumidores que notam as diferenças na hora da compra”, explica Caio Mastrodomênico, CEO da Vallus Capital.

As adaptações estão em tudo

Um depoimento feito na própria plataforma Reclame Aqui traduz bem a percepção dos consumidores. O Leandro, de São Paulo, notou mudanças em uma embalagem de papel higiênico. O pacote, que teve uma redução do tamanho dos rolos de 30 metros para 20 metros, não tinha qualquer aviso sobre a nova metragem. “Isso induz o consumidor a entender que o preço desta embalagem está mais atrativo em comparação às demais embalagens, visto que elas são praticamente iguais”, apontou o consumidor. 

Já a Lívia, de Lauro de Freitas, percebeu que o tamanho das torradas que está acostumada a comprar diminuiu, também sem qualquer aviso. “Na embalagem não tem nenhuma informação sobre a redução do tamanho nem do peso. É muita falta de responsabilidade não avisar aos consumidores que o tamanho da torrada diminuiu”, reclamou na postagem.

A variedade das adaptações é imensa, e vai desde caixas de fósforos com menor quantidade de palitos, até composição de leite condensado que em alguns casos agora passa a ser mistura láctea condensada”, explica Caio, da Vallus Capital. Segundo ele, essas medidas, ainda que questionáveis, são ferramentas de produção e comercialização que permitem os consumidores atravessarem momentos de crise econômica consumindo determinados produtos, ainda que em menor quantidade ou com formulações alteradas.

Como proteger o seu bolso

Fugir completamente da “reduflação” é uma tarefa quase impossível, mas você pode tomar algumas medidas para proteger o seu bolso e fazer boas escolhas diante do aumento de preços. Em períodos inflacionários é ainda mais importante redobrar a atenção e pesquisar antes de adquirir um produto ou serviço. “É comum encontrarmos diferentes preços de um mesmo item, até da mesma marca, em estabelecimentos diferentes”, ressalta Caio.

Se o orçamento está apertado, também é válido selecionar produtos similares mais em conta ou até mesmo substituir os itens não essenciais. Ficar de olho nos produtos da safra também é uma boa saída, consumindo frutas e legumes da época, que costumam ter uma variação menor de preço. “Fazer escolhas inteligentes é uma ferramenta de proteção para garantir a preservação do seu poder de compra”, diz Caio. 


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