Inflação global? Mais uma para estar no seu radar

A pressão inflacionária em todo o mundo certamente afetará seus investimentos e a economia brasileira; saiba como se proteger dela

– Ilustração: Marcelo Andreguetti/IF

Pontos-chave

  • Os investidores terão que se adaptar à nova realidade
  • Quando as notícias falam de inflação nos Estados Unidos e na China, o reflexo chega ao seu bolso

Não é só no Brasil e em outros países emergentes que a inflação preocupa os investidores. Números do aumento de preços nos Estados Unidos divulgados na quarta-feira (10) chamaram a atenção do mercado. A inflação acumulada nos 12 meses terminados em outubro chegou a 6,2%. É a maior alta nos preços do país desde 1990. Na China, a inflação ao produtor atingiu o nível mais elevado em 26 anos.

Com os dados, os investidores que já estavam preocupados com a desvalorização do dinheiro ficaram ainda mais atentos aos sinais de piora do problema. Não à toa, este foi o tema central do Itaú Macro Vision 2021, evento que aconteceu nesta semana e reuniu nomes da economia mundial. A pressão inflacionária em todo o mundo certamente afetará seus investimentos e a economia brasileira. 

Inflação temporária ou permanente?

Para o economista e advogado Roger Ferguson, ex-vice-presidente do Fed (Federal Reserve, o Banco Central dos Estados Unidos), a inflação é um problema de médio prazo. Ele é do time dos que acreditam que os estímulos à economia dos Estados Unidos não vai causar um efeito inflacionário permanente, mas que em alguns anos os preços voltem a acelerar no ritmo que o Fed quer. 

“O Federal Reserve vai tolerar a inflação por um tempo, o que é esperado. O ritmo de aceleração dos preços é que foi uma surpresa”, disse Ferguson. O economista acredita que o pacote de US$ 1,2 trilhão de investimentos em infraestrutura que tramita no Congresso norte-americano é necessário e “será um dinheiro bem gasto”, apesar de trazer mais pressão inflacionária ao país. 

Outro sinal de que a inflação estará presente na economia global por um bom tempo é que os bancos centrais estão mais tolerantes ao aumento de preços para estimular o crescimento econômico. Esta é a avaliação de Geraldine Sundstrom, managing director e portfolio manager da gestora de investimentos PIMCO. “Certamente veremos números (de inflação) aumentando em todo o mundo enquanto os BCs estimulam crescimento”, disse ela durante painel no Itaú Macro Vision 2021. 

Para Sundstrom, o que os investidores e empresas podem fazer é se adaptar à nova realidade. “Não podemos apostar que a inflação vai simplesmente diminuir de uma hora para outra”, afirmou a diretora da PIMCO. 

William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue Securities, chama o processo inflacionário atual de “permanentemente transitório”, isso porque o BC dos EUA não agiu por muito tempo e foi tolerante com os preços mais alto por considerar que o problema é temporário. 

Sundstrom avalia que o ciclo que vivemos é muito diferente do que aconteceu após a crise de 2008. Hoje, os governos e empresas precisam fazer mais investimentos em infraestrutura para se adaptar a mudanças cada vez mais rápidas, como alteração das fontes de energia e maior conectividade com a rede 5G. “Precisaremos de muita força de trabalho e, passados esses obstáculos, a inflação estará mais controlada”. 

E você com isso? 

Além de iPhones, notebooks e videogames, os Estados Unidos também exportam inflação para o Brasil. Com os preços lá mais caros, é inevitável que as coisas subam de preço por aqui. “A inflação dos Estados Unidos não é apenas norte-americana, e sim exportada para o mundo inteiro. Estamos vendo várias empresas falando em reajustes de preços”, conta Alves, da Avenue Securities. 

“As economias mais maduras estão assumindo o risco e ainda debatendo se a inflação é transitória ou permanente”, explica Mario Mesquita, economista-chefe do Itaú. O Banco Central norte-americano começa a combater ativamente a inflação no fim deste mês reduzindo as compras de títulos públicos. O movimento conhecido como tapering deve ajudar no controle dos preços, mas Mesquita projeta que ainda serão necessárias pelo menos duas altas nas taxas de juros no ano que vem.

Segundo Alves, que mora nos Estados Unidos, empresas conhecidas pelos brasileiros já falam em reajustes de preços. Entre elas estão 3M, que fabricas itens que vão de fitas adesivas a materiais ortodônticos e Netflix.

Por isso, saiba que quando as notícias falam de inflação acima do esperado em países importantes como Estados Unidos, China e potências europeias, não é difícil que o reflexo chegue no seu bolso. O cenário atual dá todos os indícios de que seu dinheiro continuará perdendo valor se ele ficar parado. 

No Macro Vision 2021, Geraldine Sundstrom, da PIMCO, citou títulos brasileiros que protegem o investidor da inflação, como o Tesouro IPCA. Na área de crédito privado, os CDBs vêm ganhando espaço na carteira do brasileiro que quer fugir da alta de preços.


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