Pesquisa mostra que as pessoas pretendem consumir mais; saiba como se planejar

Estudo ouviu 18 mil pessoas; acesso ao crédito teve a pior nota

Pontos-chave

  • A alta inflacionária e o aumento dos juros representam as maiores dificuldades dos consumidores
  • Até agora houve uma redução do poder de compra e encarecimento do crédito

O indicador que monitora a Intenção de Consumo das Famílias (ICF) registrou em janeiro a melhor pontuação desde maio de 2020, com 76,2 pontos, conforme dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O indicador teve alta de 1,1% em relação ao mês anterior e de 3,6% frente a janeiro de 2021.

O índice foi calculado por 18 mil entrevistas realizadas pela CNC, e qualquer pontuação abaixo de 100 é considerada abaixo do nível de satisfação do consumidor, o que se repete desde abril de 2015.

Mais emprego

Entre os componentes do indicador, o Emprego Atual teve a maior alta, de 2,6%, e também está no maior patamar, com 97 pontos, ainda abaixo do nível de satisfação de 100 pontos. Já o Acesso ao Crédito teve o pior desempenho, com queda de 1% em janeiro. A pior pontuação é do Momento para Duráveis, que mede a intenção de consumir bens duráveis, como veículos, com 43,9 pontos.

A melhora no componente Emprego Atual se deu porque subiu de 23,4% para 25,2% o percentual de entrevistados que se sentem mais seguros com seu emprego do que no ano passado, valor que é o maior desde maio de 2020. O percentual, porém, ainda é menor do que os que sentem menos seguros (28,2%) e do que os que se sentem tão seguros quanto (35,6%). Outros 10,2% declararam estar desempregados.

Melhor na renda

Da mesma forma, a parcela dos entrevistados que percebeu uma melhora em sua renda em relação ao ano passado subiu de 19,5% para 20,4%. Por outro lado, 37,7% declararam que tiveram uma piora na renda ao longo do ano, e 41,4% disseram que a renda permaneceu igual.

Segundo a direção da CNC, os dados representam a evolução do mercado de trabalho, com o maior percentual desde maio de 2020 de famílias que se sentem mais seguras com seu emprego.

“Contudo, nem todos os aspectos da economia estão favoráveis. A alta inflacionária e o aumento dos juros representam as maiores dificuldades dos consumidores, tanto pela redução do poder de compra quanto pelo encarecimento do crédito. No entanto, este mês já pôde ser observada uma amenização desses efeitos na percepção das famílias”, diz a direção da entidade.

Diferença entre ricos e pobres

A intenção de consumo das famílias com renda acima de 10 salários mínimos teve alta de 1% e chegou a 93,5 pontos, acima dos 72,6 pontos calculados para as famílias com renda abaixo de 10 salários mínimos.

Apesar de as famílias mais pobres terem registrado uma alta mensal de 1,1%, ligeiramente acima das mais ricas, na comparação anual, houve aumento de apenas 1,7%, enquanto a intenção de consumo daquelas com mais de 10 salários mínimos de renda aumentou 10,5%.

A CNC também divulgou que a alta no consumo das famílias não se deu em todas as regiões, já que, no Norte, houve queda de 1,1% em relação ao fim de 2021 e retração de 11,2% frente a janeiro de 2021.

Planeje-se e valorize seu dinheiro

Para ter uma economia forte, um país depende de alguns fatores. Muitos, na verdade. Mas um deles é a expectativa da população em relação ao futuro do seu bolso. Então, se ela está mais otimista, tem a tendência de fazer planos e, portanto, gastar mais. E o contrário também é válido: o pessimismo pode derrubar os números de um levantamento. Os dados da CNC mostram que o otimismo neste começo de ano está mais forte.

Mas atenção: antes de sair comemorando, saiba que seu inimigo número um é gastar sem precisar. Pequenos gastos podem virar uma grande conta e você nem percebe este volume crescendo. Por isso que os planejadores financeiros são unânimes. Você deve organizar suas finanças. Ficar de olho no extrato, priorizar os gastos essenciais, fugir do cheque especial e controlar as parcelas do cartão de crédito. Não gaste em compras imediatistas. Valorize seu dinheiro.

Com reportagem da Agência Brasil


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