Pandemia tornou o investidor mais cauteloso – o que está por vir?

Estudos indicam que investidores estão mais receosos e dedicando mais tempo para reorganizar as finanças

Cinco erros que detonam a reserva de emergência
– Ilustração: Marcelo Andreguetti/Inteligência Financeira

Pontos-chave

  • Com a pandemia, 57% dos investidores brasileiros estão mais avessos ao risco
  • 86% dos investidores brasileiros estão dedicando mais tempo para as finanças pessoais
  • Com a elevação da taxa de juros, a renda fixa se tornou mais atrativa

A pandemia mudou os hábitos de muita gente e, com os investimentos, não foi diferente. De acordo com um estudo feito pela EY (Ernst & Young Global Limited) com 2.500 investidores de diversos países, 51% dos brasileiros estão focados em ter segurança financeira, em vez de expandir seus lucros. Além disso, 57% afirmaram ter ficado mais avessos ao risco por conta da pandemia. Em todo o mundo, 43% dos entrevistados disseram estar com receio. 

Na visão de Yuri Cavalcante, assessor da Aplix Investimentos, alguns investidores estão sim mais receosos por conta da volatilidade, pandemia e as mudanças dos últimos dois anos. Por outro lado, muitos estão mais conscientes e entendendo sobre a importância de fazer o dinheiro render. “Os investidores provaram dessa volatilidade nos últimos meses e ficaram mais cautelosos, mas também começaram a estudar mais sobre o mercado para tomar melhores decisões”, ressalta. 

Um estudo feito pela Schroders com mais de 23 mil pessoas, de 32 regiões em todo o mundo, traz um recorte sobre o tema. A pesquisa apontou que 46% dos investidores planejam economizar mais, mesmo depois que as restrições da pandemia acabarem. No Brasil, 86% dos investidores afirmaram que estão dedicando mais tempo para pensar sobre o bem-estar financeiro e reorganizar as finanças pessoais. 

“A pandemia aumentou a nossa sensação de incerteza e desafiou nossa capacidade de processar riscos, fazendo com que muitos de nós nos sentíssemos mais ansiosos e perdendo o controle. Esses sentimentos podem ser vistos claramente nos resultados da nossa pesquisa, com os investidores cada vez mais focados em poupar, monitorando as contribuições para a aposentadoria e verificando seus investimentos com mais frequência”, disse Stuart Podmore, especialista em investimento comportamental da Schroders, em um comunicado.

O que está por vir?

No ano que vem, o cenário ainda é incerto. Por conta disso, muitos passaram a pensar mais na reserva de emergência para garantir o futuro. “Vejo que as pessoas estão olhando com mais cautela para o dinheiro e entenderam a necessidade desse tipo de investimento”, ressalta Yuri. De acordo com uma pesquisa feita pela Neon, o número de brasileiros que declararam ter uma reserva de emergência cresceu de 44% para 57% entre abril e junho deste ano. 

Para o ano que vem, segundo Yuri, podemos esperar mais volatilidade – o que acende um sinal amarelo para o investidor, que deve estar atento ao mercado e cada vez mais preparado. “Com a elevação da taxa de juros e essa cautela maior dos investidores, a renda fixa se tornou mais atrativa. O cenário deve continuar instável, principalmente por ser um ano eleitoral. É preciso ter isso em mente”.


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