Está na hora de abrir mão do carro?

Carro não deve ser um peso no seu bolso. Então, bolamos um guia para te ajudar na decisão entre ter ou não um veículo

Está na hora de abrir mão do seu carro?
– Ilustração: Marcelo Andreguetti/Inteligência Financeira

Pontos-chave

  • É importante entender que a compra de um carro não é investimento
  • Faça uma lista de gastos de cada tipo de transporte por ano para visualizar os custos
  • É fundamental que os gastos com transporte não interfiram na sua saúde financeira

Durante muito tempo, ter o próprio carro era sinônimo de poder e facilidade. Com a chegada dos aplicativos de transporte e outras soluções de mobilidade, as pessoas ganharam novas alternativas para ir e vir. Isso mexeu com o cenário, é claro, mas se engana quem pensa que o desejo ficou para trás.

Estudo feito pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) e Webmotors revelou que 75% dos mais de 4 mil entrevistados querem comprar ou trocar de carro ainda em 2021. Já o relatório divulgado pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) nos traz dados sobre o volume de vendas: 1,1 milhão de carros novos foram vendidos até setembro deste ano. Em 2020, foram 1,074 milhão. 

“Com a pandemia, aquele consumidor que tinha abandonado o veículo, buscando outras alternativas, voltou a escolher o transporte individual”, afirma Marcelo ​​Franciulli, diretor executivo da Fenabrave. Mesmo com a alta da gasolina e um cenário de instabilidade, houve um crescimento nas vendas deste ano. Franciulli acredita que esse é um movimento que deve continuar crescendo, mesmo entre os jovens.

Mas afinal, vale a pena ter um carro?

Segundo Rosi Ferruzzi, planejadora financeira CFP pela Planejar, você deve considerar alguns fatores antes de decidir comprar ou não um carro. “Primeiro é importante entender que comprar um carro zero não é investimento. A partir do momento em que ele sai da concessionária, já começa a depreciação. Com o passar do tempo ele vai perdendo ainda mais o valor”, ressalta. 

Dito isso, vamos te mostrar o caminho para que você tome sua decisão. Você deve colocar na balança o quanto cada opção disponível te custaria. Chegando no valor anual, você consegue ter uma ideia do que vale ou não a pena. Pegue um papel ou abra sua planilha de gastos, separe a calculadora, e vamos lá:

Quanto custa ter um carro

Talvez esse seja o cálculo mais trabalhoso. Ter um carro envolve alguns custos. A lista deve incluir pelo menos os principais: seguro, IPVA, estacionamento, manutenção, consumo de combustível, licenciamento e multas. No caso do financiamento, coloque no cálculo o valor das parcelas. Também é importante considerar a depreciação do carro – a perda anual gira em torno de 8% do valor do veículo. O ideal é fazer a soma de tudo e calcular os custos por ano.

Quanto custa usar aplicativos de transporte

Você pode fazer uma conta mais simples, acessando as faturas do último ano, ou estimar os gastos com alguns cálculos. Empresas como Uber e 99 disponibilizam uma tabela de preços com essas informações: tarifas fixas, custo fixo, tarifas por quilômetro rodado e tarifa mínima. Sabendo o número de corridas que você faz por mês, a distância e tempo médio percorrido nelas, você chega ao valor anual de forma mais minuciosa.

Quanto custa andar de táxi

A conta é parecida com a anterior. Nesse caso, você precisa considerar o preço por bandeira e o preço por quilômetro percorrido. Os valores variam de acordo com a cidade e o horário da viagem. Colocando no papel quantas vezes você usa táxi, a distância percorrida e o tempo em média gasto, você consegue ter uma ideia do custo anual dessa opção. 

Ter um carro não deve ser um peso nas finanças

A planejadora financeira Rosi Ferruzzi acredita que a decisão de ter ou não um carro vai além dos valores em si. “Ele acaba trazendo conforto e muitas vezes praticidade. São fatores que você também deve considerar. Depende muito do momento de vida. Um jovem solteiro, por exemplo, não tem as mesmas necessidades de uma família. Isso também conta muito na escolha.”

O importante é que os gastos não interfiram na sua saúde financeira. “Não existe um limite certo para as despesas do carro. O ideal é que seja uma porcentagem pequena da sua receita líquida geral. Você deve analisar também seus outros custos”, explica a planejadora financeira. Ou seja, se você tem outras despesas mensais, deve repensar se é mesmo a hora de assumir mais um compromisso.


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