Atletas investidores: como quatro jogadores de futebol administram as próprias carteiras

Mesmo longe de pendurar as chuteiras, eles pensam na vida pós-carreira, fazendo planos e contas

Jogadores e esportistas no mundo dos investimentos.
– Ilustração: Renata Miwa/Inteligência Financeira

Pontos-chave

  • Os atletas têm uma relação de respeito com o dinheiro: valorizam cada centavo do que ganham
  • Além do esporte, eles têm mais um ponto em comum: foco no longo prazo

É comum pensarmos no dinheiro que atletas profissionais ganham. As listas dos mais bem pagos do mundo costumam dar o que falar. Por outro lado, é difícil pensarmos em jogadores, pilotos ou boxeadores como investidores, mas há muito aprendizado com a maneira que esses profissionais lidam com o dinheiro. 

Quatro jogadores de futebol falaram com a Inteligência Financeira sobre seus investimentos e carreiras: Thaisinha, atacante camisa 10 do Santos, Luiz Gustavo, volante do Fenerbahçe, da Turquia, Tayla, zagueira do Santos, e Wesley, atacante bicampeão da Libertadores pelo Palmeiras. 

Focados na profissão, com concentrações, treinamentos e viagens, eles decidiram fechar parceria com um escritório de agentes autônomos para cuidar de seus patrimônios. Mas nem por isso abandonaram a administração do próprio dinheiro, como você vai ler nos depoimentos a seguir.

Vencendo a desconfiança

O medo de investir estava no início da história dos quatro atletas. “Tive muito medo de sumirem com meu dinheiro”, conta Thaisinha, do Santos. Outra atleta que também tinha a mesma preocupação é Tayla. Com a rotina pesada de treinamentos e a pressão da vida de uma atleta de alto rendimento, ela conta que não se especializou em investimentos. “Sou leiga no assunto, por isso nunca arrisquei nada, nunca tive informação”, afirma Tayla. 

A situação dos atletas mudou quando eles tiveram acesso à informação e conheceram profissionais que são especialistas em administrar recursos de terceiros. Thaisinha foi convencida por Renata Lima, assessora de investimentos da Delta Flow, que cuida da sua conta. “Depois que a gente conversou, eu fiquei mais confiante e ficou mais fácil investir.”

Para a zagueira Tayla, a desconfiança com os investimentos veio de sua relação com o dinheiro na infância, quando este era um bem escasso, e de seu comportamento. “Sempre fui mão de vaca”. Ela começou a ser remunerada por seu desempenho em campo em 2009, mas sentiu liberdade para gastar o próprio dinheiro há apenas dois anos. 

Onde investem os atletas?

A relação dos atletas com os investimentos é mediada por Renata Lima, no caso das mulheres, ou Bruno Venditti, sócio-fundador da Delta Flow Investimentos. Eles pagam as contas e transferem uma parte para a conta gerenciada pelo escritório. Lá, os especialistas traçam uma estratégia para o dinheiro e procuram os jogadores, que dão ou não o aval para a aplicação. 

Bruno Venditti conta que a base da estratégia da carteira dos jogadores é a mesma que para qualquer pessoa: diversificação. Segundo ele, com jogadores mais informados, a diversificação aumenta, porque a exigência também é mais alta.

O dinheiro dos atletas é alocado em renda fixa, fundos previdenciários, fundos multimercados, ações, BDRs e moedas estrangeiras. “Temos sempre uma parcela internacional, mas respeitando o fluxo financeiro dos clientes”, explica Venditti. 

Wesley, atacante do Palmeiras, tem 22 anos e está começando a montar a própria carteira de investimentos. Ele conta que investe aproximadamente 70% do que ganha. A premiação por ter sido campeão da Libertadores já está na sua conta de investimentos, diz o jogador. “Vou colocando o dinheiro lá e a gente vai fazendo o que ele me passa. A última palavra é sempre a minha, mas ele me auxilia”, explica Wesley. 

Aliás, quando o assunto é ajuda com as finanças, a assessoria sempre vai além dos investimentos. “Acabo virando um conselheiro. O jogador começa a ganhar dinheiro e vê a questão do consumo primeiro, mas com esse tempo de estrada conhecemos muitas histórias de atletas da base a ex-jogadores e damos o direcionamento de como preservar o dinheiro”, explica Bruno Venditti. 

Wesley e Luiz Gustavo são exemplos de momentos contrastantes: enquanto um está no início da carreira, o outro já tem situação financeira mais confortável para pensar na aposentadoria depois de investir por 13 anos. 

“Minha relação com o dinheiro é de respeito. Tento plantar sementes para ser melhor remunerado e valorizar cada centavo que ganho”, diz Luiz Gustavo. O volante do Brasil na Copa de 2014 conta que acompanha as mudanças que o mundo vem passando, com a inflação, e disrupções, como criptomoedas

E o pós-carreira?

Além do esporte, os atletas investidores têm mais uma coisa em comum: o foco no longo prazo. Todos investem pensando no fim da carreira, que dificilmente ultrapassa os 40 anos. No início das jornadas de investimento, eles traçaram objetivos com os assessores pensando no que fazer depois que pendurarem as chuteiras. 

Luiz Gustavo, o mais velho entre os atletas ouvidos pela reportagem, diz ficar tranquilo quando pensa em aposentadoria. Ele conta que a tranquilidade não vem apenas do dinheiro guardado nos últimos anos como atleta profissional, mas de seu preparo para continuar trabalhando após a aposentadoria como jogador. 

O meio-campista pretende fazer um curso nos Estados Unidos de gestão no futebol, pensando no pós-carreira. “Foi tudo bem plantado e organizado. Só tenho a agradecer e nunca deixar de trabalhar”, diz. 

Tayla também colocou os estudos no radar pensando no que fazer após a carreira de jogadora. Ela estuda educação física para se preparar para uma realidade muito diferente dos homens, que ganham muito mais que elas. “É difícil estudar enquanto joga, tem convocações fora do Brasil, treinos pesados, uma agenda intensa”, explica a atleta. Ela conta que pretende trabalhar como personal trainer, mas não quer depender de um emprego. “Quero me estabilizar financeiramente com meus investimentos”, afirma.

Mesmo que pare de jogar futebol em dois ou três anos, Thaisinha pretende retirar metade de suas aplicações em sete anos. A causa é nobre: ela quer abrir uma ONG para ajudar famílias em situação de rua, oferecendo às crianças suporte para praticar esportes e aos pais, a oportunidade de estudar. 

Mesmo sendo o mais novo entre os atletas, Wesley também já tem planos para a aposentadoria: “já penso em ver onde vou morar e comprar um terreno para construir minha casa”. 


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