Pix faz um ano: qual é a próxima evolução do meio de pagamento?

Com números grandiosos, Pix bancarizou 45,6 milhões de pessoas, tirou de circulação R$ 40 bilhões em espécie e já cadastrou mais 1 bilhão de transações; só em setembro deste ano foram movimentados R$ 554,4 bilhões

1 ano de PIX
– Ilustração: Renata Miwa

Pontos-chave

  • Já são 350 milhões de chaves individuais cadastradas
  • Como o maior risco do Pix é o fator humano, BC anunciou medidas para aumentar a segurança, como estipular limite de R$ 1 mil para transações à noite
  • Os próximos passos serão: saques em lojas, parcelamento de contas, transações sem internet e transferências para o exterior

Há exatamente um ano, no dia 16 de novembro de 2020, o Banco Central (BC) lançou o sistema de pagamento instantâneo que mudou (e muito) o mercado financeiro no Brasil. Segundo dados do BC, 45,6 milhões de pessoas que não realizavam transações bancárias eletrônicas como TED ou DOC agora usam o Pix com frequência, sendo que 34 milhões só fazem transferências por meio dele. 

Além disso, com a chegada do Pix, R$ 40 bilhões em espécie deixaram de circular no Brasil de janeiro a outubro deste ano, uma queda de 10,5% em relação ao final do ano passado. “O Pix surgiu como uma solução de pagamentos para todos, mas principalmente para pessoas com menos renda. O pagamento instantâneo e sem custos facilitou muito as transferências, ampliou o acesso bancário e trouxe oportunidades de negócios. De uma forma geral, ele tem um efeito muito grande na inclusão financeira do país”, ressalta Myrian Lund, professora dos MBAs da FGV e especialista em mercado financeiro.

Com a adesão em massa de famílias e empresas, o Pix de fato atingiu números grandes. Já são quase 350 milhões de chaves individuais cadastradas e mais de 1 bilhão de transações. A maior parte delas, 75%, é entre pessoas físicas. Só em setembro deste ano, foram R$ 554,4 bilhões movimentados. Quando o assunto é negócios, em outubro foram R$ 52 bilhões de contas pagas via Pix.

“O Pix revolucionou o sistema de pagamentos por três razões: instantaneidade, gratuidade e experiência.”

FÁBIO LINS, SUPERINTENDENTE EXECUTIVO DE CANAIS, PIX E OPEN FINANCE DO BANCO ORIGINAL

Segundo Fábio Lins, superintendente executivo de canais, Pix e open finance do Banco Original, a plataforma foi amplamente aceita e adotada pelos brasileiros por preencher uma lacuna. “É o meio de pagamento mais democrático que existe. A experiência é fácil, intuitiva e as pessoas não pagam nada por isso. Não é à toa que adotamos a tecnologia muito rápido. Além disso, as transferências podem ser realizadas a qualquer hora e em qualquer dia, o que antes não acontecia”, ressalta Lins.

Para Danilo Caffaro, diretor de serviços financeiros PF do PicPay, a ferramenta trouxe, principalmente, facilidade. “O Pix facilitou a integração entre os participantes do mercado financeiro e ampliou a capacidade dos usuários fazerem pagamentos e acessarem outros produtos financeiros. Desde que ele foi lançado, temos visto os usuários muito mais engajados e temos enxergado novas oportunidades”, afirma Caffaro.

E o lado ruim?

Com a chegada do Pix, muito se fala sobre seus riscos. Segundo o Banco Central, o Pix conta com os mesmos protocolos de segurança do Sistema Financeiro Nacional que já usamos hoje, e que também servem para TEDs e DOCs. O sistema ainda tem camadas extras de segurança oferecidas pelas instituições financeiras, como reconhecimento facial e biometria. 

“Em termos de tecnologia, a solução é extremamente segura. Mas temos um problema de segurança pública. Nesse sentido, o Banco Central tem feito ajustes para reduzir fraudes e outros riscos”, explica Fábio Lins. Uma das práticas mais comuns é a de engenharia social, técnica usada por criminosos virtuais para induzir usuários a enviar dados confidenciais. Assumindo o controle do WhatsApp, por exemplo, os bandidos podem pedir dinheiro para outros contatos ou até mesmo fazer movimentações se o recurso estiver habilitado na plataforma.

O maior risco do Pix, portanto, é o fator humano. Pensando em aumentar a segurança dos usuários, o Banco Central anunciou uma série de medidas em agosto – entre elas o limite de R$ 1 mil para transações no horário noturno e prazo mínimo de 24 horas para pedidos de aumento de limite de transações. “Constantemente reforçamos orientações para conscientizar os usuários sobre segurança. Mas não vemos um lado negativo, muito pelo contrário. A ampla aderência ao Pix mostra  que ele ajudou muito o dia a dia e facilitou a inclusão financeira de muitos brasileiros”, ressalta Danilo Caffaro, do PicPay.

O que vem por aí

O primeiro ano de Pix já mostrou que a tecnologia veio para ficar. E esse é só o começo. O Banco Central já tem uma agenda intensa de lançamentos para 2022. “No ano que vem, devemos ter novas funcionalidades que vão estimular ainda mais os negócios e facilitar a transações, principalmente para pessoas físicas”, explica Myrian Lund, da FGV.

Ainda em novembro, devem entrar no ar o Pix Saque e o Pix Troco, que permitirão retiradas em dinheiro em estabelecimentos comerciais. Já no ano que vem estão previstas diversas funcionalidades, como o Pix Garantido para parcelamento de compras, o Pix Offline para transações sem internet e o Pix Internacional para transferências para o exterior. 

Segundo Fábio Lins, do Banco Original, a agenda vem acompanhada de um importante marco para o mercado financeiro: o open finance, que é a evolução do open banking. Nele, os clientes terão a liberdade de compartilhar dados pessoais e financeiros para instituições e operadoras de serviços não vinculadas a sistemas bancários. “O Pix veio para chacoalhar o mercado financeiro. Como o open finance as coisas vão mudar ainda mais. As pessoas vão poder usar o Pix em supermercados, no caixa da padaria, na farmácia ou em qualquer outro lugar, sem precisar abrir um aplicativo bancário.”


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