Dívida privada X dívida pública: quais títulos devem entrar na sua carteira

A renda fixa tem dois grandes grupos de ativos; entenda as diferenças entre os títulos da dívida pública e privada

Virando o jogo: você pode ser credor do governo e de empresas
– Ilustração: Renata Miwa

Pontos-chave

  • A principal diferença entre dívida pública e privada é o nível de risco de cada uma delas
  • É válido mesclar títulos públicos e privados, mas você precisa conhecer seus objetivos e determinar prazos de resgate

A renda fixa é um campo com muitas opções de investimento e diferentes níveis de risco, liquidez e rentabilidade. Quando você investe em RF, está emprestando dinheiro para o governo ou para uma empresa. É aí que está a primeira e principal diferença entre os títulos de dívida: você deve escolher os públicos ou privados? 

A resposta, como para quase tudo nos investimentos, é: depende. Você é tolerante a riscos? Você pode deixar o dinheiro em uma aplicação por quanto tempo? Qual seu objetivo ao investir? As respostas para essas perguntas devem estar claras na sua cabeça antes de escolher um título de dívida, seja ele privado ou público. 

Os títulos 

O primeiro passo é conhecer as opções que o mercado oferece. Debêntures, títulos do Tesouro Direto, CDBs e outros termos devem fazer sentido para você. Conheça as opções de investimentos em renda fixa: 

Diferença é o risco 

Ao contrário do que muita gente pensa, o investimento em renda fixa também tem risco. Os instrumentos são menos arriscados do que os de renda variável, mas há a possibilidade – mesmo que remota – de calote das empresas ou governos. 

A principal diferença dos títulos de dívida privados e públicos é justamente o tamanho do risco. É mais provável que uma empresa quebre e não pague suas dívidas do que todo o Estado. Ainda é preciso analisar que entre os títulos de dívida privados há diferença de risco. O investidor pode olhar para o tamanho da companhia, área de atuação e sua situação financeira. 

Para conservadores e moderados

“Esses instrumentos são indicados para investidores com perfis conservadores e moderados”, afirma Henrique Castro, professor de finanças da FGV-EESP. Geralmente os mais arrojados procuram outros instrumentos com mais risco, atrás de mais rentabilidade. 

Vale lembrar que o conservador é aquele que não quer perder dinheiro de jeito nenhum, enquanto o moderado suporta um nível de risco, mas tem menos estômago que o arrojado. 

Posso mesclar títulos privados e públicos?

Você deve ter em mente qual o objetivo do seu investimento. Todos os investimentos de renda fixa têm um prazo definido. Se você quer viajar em 2023 deve procurar títulos com vencimento em pouco menos de anos. Para sua aposentadoria, o vencimento pode estar mais distante. 

“Quando faço um investimento preciso pensar por quanto tempo posso comprometer aquele dinheiro. É importante pensar em um investimento compatível com o prazo que vou precisar do recurso”, explica Castro. 

Para o médio prazo, os CDBs podem ser uma boa. Eles têm prazos de vencimento diferentes entre si, a depender de quando foram emitidos. A rentabilidade é proporcional ao tempo de alocação, ou seja, aumenta quando a duração é maior e diminui quando o prazo é menor. 

Para o longo prazo, os títulos do Tesouro Direto são os mais indicados. O Tesouro IPCA com juros semestrais que vence em 2055 é, atualmente, o título mais longo que o Tesouro Nacional Oferece. 

De olho nas debêntures

As debêntures são instrumentos que chama atenção e requerem cuidados dos investidores. É preciso ficar de olho em alguns fatores antes de emprestar seu dinheiro para uma empresa. 

O professor Henrique Castro explica que o investidor deve olhar para o motivo da emissão das debêntures. “A empresa pode pegar aquele dinheiro para investir no próprio crescimento ou usar para pagar dívidas que estão vencendo agora. Para saber qual o motivo da emissão, basta olhar o prospecto, que diz qual a finalidade da arrecadação”, explica. 

Outra dica valiosa é acompanhar as notas que agências de rating dão para a debênture. Toda emissão é acompanhada por uma empresa independente, que analisa o momento da empresa, a finalidade da arrecadação e o histórico da companhia para dar uma nota ao título. Quando maior a nota, maior a confiança que a agência tem no pagamento da dívida.


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