O que são stablecoins? Por que a TerraUSD desabou? Entenda

Como isso afeta Bitcoin e as outras criptomoedas? Saiba mais

Criptomoedas em queda
O mercado global de criptomoeadas desabou, com perda de US$ 200 bilhões em apenas 24 horas

Pontos-chave

  • Moedas digitais atreladas ao dólar prometem estabilidade, mas passam por teste de estresse, com perdas globais

O mercado global de criptomoeadas desabou, com perda de US$ 200 bilhões em apenas 24 horas, após desvalorização da stablecoin TerraUSD. Mas, afinal, o que é uma stablecoin? Essas moedas são mais estáveis como o nome em inglês sugere? E por que a TerraUSD despencou? Veja as repostas abaixo.

O que são stablecoins?

São ativos digitais, que podem ser moedas ou tokens, e são criados com o objetivo de manter um valor mais estável ao longo do tempo.

Isto é, são desenhados para que tenham apenas a volatilidade típica de moedas tradicionais, cujo valor varia menos que o do Bitcoin e outras moedas digitais.

A Tether, por exemplo, vende suas moedas por US$ 1 e promete trocá-las por US$ 1 se os clientes quiserem seu dinheiro de volta.

Como elas fazem isso?

Há duas formas. As stablecoins são ancoradas em outros ativos, como o dólar americano. E seus emissores afirmam que detêm reservas em valor equivalente ao das moedas.

Essas reservas podem ser em ativos similares, como o Bitcoin.

Outras stablecoins são ancoradas em preços de criptoativos, como Ether, ou em aplicativos descentralizados, como o DeFi, ou ainda em conjuntos de moedas usadas como lastro.

Algumas usam algoritmos para gerenciar a oferta e demanda desses ativos e, assim, determinar seu valor. A TerraUSD, também conhecida como UST, se enquadra nesse tipo de stablecoin.

Como funcionam os algoritmos das stablecoins?

Eles são desenhados para manter sua ancoragem (e a confiança do investidor) por meio de uma combinação entre equações matemáticas e compra e venda das stablecoins.

No caso da Terra USD, investidores podem trocar uma unidade do token, independentemente do preço pelo qual está sendo negociado, por US$ 1 de Luna, outro token que funciona no mesmo ecossistema. Um está atrelado ao outro.

Isso significa que, se o valor da TerraUSD cai ou sobe, cria-se uma oportunidade de arbitragem: se a stablecoin cai para US$ 0,98, em teoria, traders vão correr para trocá-la por US$ 1 de Luna e lucrar US$ 0,02 nessa transação.

O uso do token Luna, na prática, suaviza eventuais flutuações de curto prazo da TerraUSD, de forma que que US$ 1 em Luna seja equivalente a uma unidade da stablecoin Terra.

Os criadores da TerraUSD se apoiavam nesse mecanismo para manter o valor da moeda em US$ 1 ou perto disso. Mas o mecanismo falhou.

O que aconteceu com a stablecoin TerraUSD então?

Não está claro por que seu valor começou a cair abaixo de US$ 1 no início deste mês. Mas o tombo de US$ 0,45 ilustra a vulnerabilidade dos algoritmos das stablecoins.

O valor da stablecoin TerraUSD depende da confiança dos investidores no valor da Luna. E o valor da Luna é baseado na confiança de que a TerraUSD se mantenha estável. Isso é necessário para o equilíbrio do ecossitema.

Os responsáveis pela manutenção desse equilíbrio venderam parte de suas reservas em Bitcoin e em uma outra criptomoeda chamada Avalanche para assegurar a paridade de TerraUSD.

O principal apoiador da stablecoin, Do Kwon, que também é seu cofundador, anunciou um plano de ampliar a capacidade de mineração e, assim, criação de mais unidades de Luna, de modo a restabelecer a ancoragem.

Mas ele disse que isso teria um preço. Ele tuitou que o preço da Luna ia cair ainda mais, pois o aumento da oferta não diluiria o valor individua dos tokens.

Quantas stablecoins existem?

Há dúzias de stablecoins. Juntas, elas valem US$ 130 bilhões, segundo dados de outubro. A maior parte delas é atrelada ao dólar. A maior delas é chamada Tether e é emitida pela Tether Holdings. Existem 69 bilhões de Tethers em circulação e ao menos 48 bilhões delas foram emitidas neste ano.

Com conteúdo do jornal digital O Globo


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