O caos na economia atrapalha seus planos? Dê uma olhada nas NTN-Bs de longo prazo, dizem analistas

Com taxas próximas a 6%, papéis do Tesouro Direto podem ser boas opções

Ilustração: Marcelo Andreguetti/IF

Pontos-chave

  • Em renda variável, os mercados alternam momentos de euforia com medo
  • Curto prazo gera muitas incertezas

Onde investir nos próximos meses? Os analistas consideram que há muitas incertezas no curto prazo, tanto dentro como fora do Brasil. Por isso, é hora de focar no longo prazo. E alguns ativos merecem sua atenção. Segundo a estrategista-chefe da MAG Investimentos, Patricia Pereira, e o diretor de investimentos da Bradesco Asset Management (Bram), Philipe Biolchini, as NTN-Bs de vencimento mais longo e os produtos de renda variável fazem parte desse cenário.

O que é NTN-B?

As NTN-B (Notas do Tesouro Nacional da série B) são títulos públicos, ou seja negociados pelo Tesouro Direto. Elas têm rendimento atrelado à inflação (IPCA), mais juros prefixados. Elas também são chamadas de Tesouro IPCA+ e têm pagamento de juros semestrais. O investidor, portanto, conhece a rentabilidade com antecedência. Porém, o valor exato não há como saber, mas fica estabelecido que vai ter a inflação mais uma taxa de juro prefixada no vencimento do título. E, dependendo da papel, a cada seis meses você recebe o pagamento de juros.

Investir em títulos com vencimento curto ou longo?

De acordo com Patricia, o aumento da inflação nos últimos meses fizeram com que os retornos dos títulos indexados à inflação (IPCA) de prazos mais curtos, medidos pelo índice IMAB-5, tenham superado amplamente os títulos do mesmo tipo de prazo mais longo, medidos pelo índice IMA-B+.

No entanto, em estudo realizado pela profissional, em períodos em que a Selic permaneceu estável ou naqueles em que o Banco Central cortou os juros, a dinâmica se inverte e os títulos indexados ao IPCA de prazos mais longos tendem a superar a rentabilidade dos mais curtos.

“Se tem uma coisa que a gente aprendeu nos ciclos de estabilidade e de cortes de juros passados é que eles costumam ser bons para as NTNBs mais longas. Atualmente as taxas estão próximas de 6%, o que já parece bastante interessante”, afirmou Pereira em evento organizado pela Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp).

Como a inflação interfere nos seus investimentos?

Neste cenário de inflação e juros altos, você deve concluir que está tudo ruim para os investimentos. Julia Passabom, economista responsável pela análise de inflação do Itaú BBA e doutora em economia pela USP, explica que, sim, existem investimentos que ajudam você a se proteger da alta nos preços. “Por exemplo, o Tesouro Direto  permite você investir em títulos que têm seu rendimento atrelados à variação do IPCA, principal medida de inflação na economia brasileira”, diz Julia. Geralmente, “ativos reais vão ter desempenho melhor do que ativos nominais em períodos inflacionários”, explica. Veja abaixo, a explicação da economista na Entrevista da Semana:

O que acontece com a renda variável?

Para os ativos de renda variável, Biolchini afirma que os mercados tendem a alternar momentos de euforia e de medo. “O cenário é de alto risco e a precificação dos ativos tem sido extrema. Mas será que estamos deixando de olhar para os fundamentos?”, questionou.

Segundo ele, há cinco grandes fatores que têm pesado sobre os ativos de risco globais e locais. São eles:

  • o risco de recessão nos Estados Unidos;
  • os temores relacionados a uma parada brusca na economia chinesa;
  • a guerra entre a Rússia e a Ucrânia;
  • a inflação alta e persistente no Brasil;
  • a será a política econômica adotada pelo próximo governo.

Nesse sentido, quando se observa a precificação das ações brasileiras, grande parte das notícias ruins parecem já incorporada aos preços. Há múltiplos bastante deprimidos dos papéis do Ibovespa, quando comparados às médias históricas e aos pares emergentes. Além disso, Biolchini lembra que os dividendos das empresas do índice são maiores do que a própria NTN-B e que o nível de endividamento corporativo é saudável. “Nossa visão é de que os preços estão bastante descontados”, afirmou.

Ainda de acordo com Biolchini, os próximos meses devem trazer definições importantes para a trajetória dos ativos dos mercados globais. A equipe da Bram espera que o Federal Reserve (FED) dê indicações mais claras de seu plano de voo, além de maior visibilidade sobre questões referentes ao crescimento e aos estímulos econômicos na China e sobre a guerra na Ucrânia.

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