Milionários deixam R$ 52 bilhões na poupança; mas você, com bem menos, evite fazer o mesmo

24 mil contas de poupança tem saldo superior a R$ 1 milhão

Poupança tem o pior rendimento entre ativos da renda fixa
Ilustração: Marcelo Andreguetti

Pontos-chave

  • De cada 10 pessoas, 3 têm dinheiro na caderneta de poupança
  • LCA, LCI, CDB e títulos públicos são boas alternativas

Acredite você ou não, mas a caderneta de poupança ainda é uma das principais opções de investimento de gente rica, muito rica. Hoje, 24 mil contas de poupança tem saldo superior a R$ 1 milhão, segundo dados de abril divulgados pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). No total, são quase R$ 52 bilhões, ou R$ 2,2 milhões por conta.

Os juros da poupança estão em 0,5% ao mês (ou 6,17% ao ano) mais a variação da Taxa Referencial (TR), que ficou zerada por anos. Já a Selic está em 12,75% e deve mudar nesta quarta-feira (15), quando haverá uma nova decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central.

Quanto dinheiro os milionários perdem por estarem na poupança?

Os milionários perdem cerca de R$ 2,5 bilhões em um ano por não investir em ativos mais rentáveis e tão seguros quanto a caderneta. Entre as opções, estão o título público pós-fixado Tesouro Selic ou um CDB a 110% do CDI, ou ainda uma LCA a 95% do CDI.

Quanto rende a poupança?

Tradicionalmente, o rendimento da poupança sempre foi determinado pela variação da Taxa Referencial (TR) mais juros de 0,5% ao mês. Entretanto, as regras sofreram alteração em maio de 2012. Com isso, os depósitos feitos em poupança até o dia 4 de maio de 2012 (chamada de “Velha Poupança”) continuam sendo remunerados pela mesma fórmula (TR + 0,5% ao mês). Como a TR é praticamente igual a zero, a rentabilidade de aplicações até maio de 2012 é de aproximadamente 6% ao ano.

De 2012 em diante, o rendimento da poupança se dá pela taxa Selic, determinada pelo Banco Central, da seguinte forma:
• Se a Selic  estiver maior que 8,5%, o rendimento é igual ao anterior: 0,5% ao mês + TR;
• Se a Selic estiver menor ou igual a 8,5%, o rendimento é de 70% da Selic + TR.

Se você quer saber quanto seu dinheiro pode render na caderneta, vale conferir na Calculadora do Cidadão, disponibilizada pelo Banco Central. Por tudo isso, o rendimento da poupança perde para a inflação. Isso significa que ao deixar seu dinheiro nessa aplicação, ele perde valor – as coisas vão ficando mais caras e seu dinheiro não acompanha a alta dos preços.

Quem investe em caderneta de poupança?

Não são só os milionários brasileiros que investem em caderneta de poupança. Segundo a Anbima,  cerca de 30% dos investidores brasileiros têm dinheiro depositado na caderneta.

Por que as pessoas ainda investem em poupança?

O brasileiro ainda investe na poupança por alguns motivos simples. Veja:

  • Facilidade: o dinheiro é transferido para uma conta /500 sem grandes esforços. O oposto também é verdadeiro: ele é sacado facilmente;
  • Isenção de Imposto de Renda: não há cobrança do Leão, muito embora você deva declarar o investimento para a Receita;
  • Liquidez: você pode fazer o resgate do dinheiro a qualquer momento, lembrando que a rentabilidade só acontece na data em que o dinheiro foi aplicado. Se sacar fora do dia, você perde os juros do mês;
  • Isenção de taxas bancárias: não existe qualquer taxa cobrada sobre o dinheiro deixado na poupança;
  • Baixo investimento: muita gente é atraída para a poupança por ter pouco dinheiro para aplicar em outros investimentos.

Os planejadores financeiros ainda atribuem a grande adesão à caderneta a outros fatores, como preguiça e falta de educação financeira. Nesses casos, o dinheiro acaba sendo alocado na poupança simplesmente para não ficar parado na conta corrente.

Quais são as alternativas à caderneta de poupança?

Mas veja: novamente vamos reforçar que outros ativos também oferecem o pacote facilidade+isenção de IR+liquidez+isenção ou redução de taxas+baixo investimento.

LCAs e LCIs não têm a mordida do Leão e são títulos emitidos para financiar projetos no campo ou no setor imobiliário. Ambos são protegidos pelo FGC

Outra alternativa é o CDB, investimento que vem ganhando espaço na renda fixa . O ativo é uma forma de emprestar dinheiro a um banco em troca de juros. Esse instrumento oferece rentabilidade até 5,5% maior que a inflação ou um pouco acima da Selic. O investimento pode ser de curto a longo prazo, tudo depende do papel escolhido. Para quem tem medo, não precisa se preocupar: os investimentos inferiores a R$ 250 mil são protegidos pelo FGC

No vídeo abaixo, explicamos em detalhes o que é o CDB. Dá uma olhada:

E, quem não quiser investir em dívida privada, pode escolher títulos da dívida pública. O Tesouro Direto  é um jeito fácil de aplicar em instrumentos atrelados à inflação (IPCA) ou à taxa básica de juros, com aportes a partir de R$ 30.

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