Mercado tem boas opções de investimento em agronegócios

Há produtos para conservadores, moderados e arrojados; renda fixa e variável; curto e longo prazos

Quais ações de agro o investidor tem que ter na carteira no momento?
Ilustração: Marcelo Andreguetti

Pontos-chave

  • As negociações e as especulações em torno de ações do agro aumentaram
  • Existe uma série de papéis do setor, como as produtoras de commodities, além das focadas em terras e sementes

O PIB do agronegócio brasileiro calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), cresceu 8,36%, no ano passado, enquanto o PIB nacional avançou 4,6%. A participação do setor alcançou 27,4% no PIB do país, a maior desde 2004 (quando foi de 27,5%) e quase 8 pontos percentuais maior em relação a 2020.

O crescimento do agro é o mais significativo na economia, principalmente devido ao crescente volume de produtos exportados, se consolidando no mercado internacional como um dos principais produtores exportadores em commodities agrícolas.

Como ganhar dinheiro investindo em agronegócios?

Para quem quer investir no agro e aproveitar os retornos que o setor tem oferecido, o mercado possui três tipos de produtos de investimento. Os principais são os Certificados de Recebíveis Agrícolas (CRAs), os recém-nascidos Fiagros e as ações de companhias listadas na B3, a bolsa de valores brasileira – cada um deles voltado a um tipo de perfil do investidor, objetivos e horizontes, e maior ou menor apetite a risco.

A segurança da renda fixa

Luigi Wis, especialista em investimentos da Genial, explica que, para um investidor mais conservador, a renda fixa é a mais adequada e os CRAs são a melhor opção de investimento. Os CRAs são títulos lastreados em recebíveis originados de negócios entre produtores rurais e terceiros, como financiamentos ou empréstimos relacionados a produção e comercialização, além de outras operações ligadas à produção agropecuária. Os rendimentos, que podem ser prefixados e pós-fixados, são isentos de Imposto de Renda para pessoa física.

“Esse é um investimento que o investidor vai, basicamente, financiar um empreendimento no agronegócio, ou seja, como toda operação de renda fixa, nada mais é do que emprestar dinheiro a uma empresa do setor”, explica Wis. “É uma forma de o investidor que tem um perfil mais conservador, aproveitar a alta das commodities do segmento do agronegócio brasileiro”. Para Wis, é uma alternativa atrativa, porque “normalmente paga uma taxa de juros maior do que as oferecidas pelo Tesouro Direto”, por exemplo.

Ainda que seja um investimento mais seguro, Wis ressalta que, para o investidor que quer escolher seus próprios CRAs, é preciso avaliar quem é o emissor da dívida e a qualidade do crédito – os chamados ratings -, que pode ser indicada pelas notas atribuídas pelas agências classificadoras.

“É importante avaliar se a empresa é de grande ou médio porte, de setores mais previsíveis ou mais cíclicos, para poder tomar uma decisão com mais segurança”, reforça Wis. “O CRA têm liquidez, ou seja, pode ser negociado no mercado, mas o recomendado é um horizonte de, no mínimo, 12 meses, para resgate.”

Como funcionam as LCAs?

No mesmo segmento de renda fixa que, teoricamente, poderia ser atrativo são as LCAs, mas Wis esclarece que, apesar do nome, não é um investimento direto no agronegócio, já que é um título emitido por um banco. “Sobretudo agora, com os juros mais altos, pode-se fazer investimento em uma LCA, conseguir uma boa rentabilidade, mas não é um produto para quem quer ter uma exposição ao agronegócio”, ressalta.

Wis explica que, ao adquirir uma LCA, o investidor está emprestando dinheiro a um banco que empresta dinheiro para o agro. “Para o cliente, independentemente se o agronegócio está indo bem ou mal, a exposição é ao risco de crédito do banco emissor”, reforça. A vantagem da LCA é que, além de ser isenta de imposto de renda, no caso da instituição financeira quebrar, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) cobre até R$ 250 mil do prejuízo.

Iniciando na renda variável: Fiagro

Na transição entre o perfil conservador e o arrojado, está o recém-criado Fiagro. “Esse tipo de investimento pode ser recomendado para um perfil moderado, mas já tem ‘um pé’ na renda variável”, diz Wis. De acordo com a descrição da B3, Fiagro “é um papel que permite ao investidor pessoa física ou jurídica, do Brasil ou do exterior, investir no agronegócio”. O investimento, lançado em março do ano passado, foi inspirado nos Fundos Imobiliários para financiar o agronegócio, por meio de fundos que fazem aportes em propriedades rurais ou em cotas de outros títulos como os próprios CRAs e CPRs (Créditos de Produtos Agrícolas), e outros instrumentos financeiros.

O primeiro Fiagro listado na Bolsa, em agosto de 2021, foi o da Galápagos, em uma oferta restrita para investidores qualificados. Em janeiro, a gestora fez uma segunda emissão, desta vez aberta a todos os investidores. Atualmente, a B3 conta com 21 Fiagros listados, em negociação. O mais recente lançado é o RURA11, da Itaú Asset, que captou R$ 600 milhões provenientes de mais de 5 mil cotistas.

Renda variável “raiz”: ações

Com uma maior maturidade do mercado acionário no Brasil, novas empresas do agronegócio chegaram ao mercado de capitais, com emissão de ações. Outras, já há mais tempo nesse segmento, viram seu volume negociado diariamente na B3 aumentar consideravelmente, comprovando a atratividade dos papéis. Por outro lado, aumentou também a especulação em torno desses papéis, trazendo mais volatilidade aos seus preços. “Hoje existe uma série de ações listadas na Bolsa, que são do segmento do agronegócio, sejam produtoras de commodities agrícolas, como algodão, milho, soja, açúcar e etanol ou focadas em terras ou sementes”, afirma Wis, da Genial.

Entre as empresa mais tradicionais desse segmento podemos citar a SLC Agrícola, Brasilagro e São Martinho. Nos últimos cinco anos, a SLC Agrícola, produtora de soja, milho, algodão e, em menor escala, criação de gado, que chegou na Bolsa em 2007, viu seu volume médio mensal negociado na bolsa saltar de R$ 120 milhões para R$ 1,2 bilhão. Do mesmo ano de estreia, a São Martinho, do segmento sucroalcooleiro, no mesmo período, passou de média mensal negociada de R$ 270 milhões para mais de R$ 900 milhões. A Brasilagro, que atua no mercado imobiliário agrícola, basicamente em terras, na Bolsa desde 2006, vive o mesmo movimento: de um volume médio mensal de RS 22 milhões, em 2017, para mais de R$ 400 milhões, ao final de 2021.

Novatas na Bolsa

No ano passado, seis novas empresas do agro chegaram à Bolsa: Jalles Machado, de açúcar e etanol, em fevereiro; Boa Safra, de produção de sementes, em abril; AgroGalaxy, plataforma de varejo e serviços voltados para o setor, e 3Tentos, de distribuição de insumos agrícolas, originação de grãos e processamento, em julho. Em agosto, a gigante Raízen, joint venture entre Shell e Cosan, fez sua oferta inicial de ações com uma captação de R$ 7 bilhões.

Empresas em crescimento

No início do ano, a Genial passou a cobrir empresas 100% focadas no agro, SLC Agrícola, Brasilagro e Boa Safra . “Enxergamos o setor como um todo com bons olhos, dado a sua importância para o país e perspectivas de contínuo crescimento”, justificou o analista Adriano Castro.

As empresas do segmento sucroalcooleiro Raízen, São Martinho e Jalles Machado são as preferidas da Santander Corretora. “Nossa visão para essas companhias é favorável basicamente por dois motivos: tanto o preço do açúcar quanto o preço do etanol, em patamares elevados, são puxados pelo preço do petróleo”, explica Ricardo Peretti, estrategista de ações da casa. “Há uma paridade do preço da gasolina, do diesel com o etanol. À medida que o petróleo sobe, tende a elevar o preço do etanol, o que leva as empresas do setor a priorizar a produção de etanol.”

Com reportagem do Valor Investe


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