Maldição de maio: mês é o mais temido pelo mercado financeiro

É quando se registram as maiores baixas na Bolsa, como foi o Joesley Day

Saguão da B3, Bolsa de Valores de São Paulo (Foto: Divulgação)

Pontos-chave

  • A lenda se refere aos prejuízos no quinto mês do ano observados por estudiosos da área
  • No Brasil, o fenômeno pode estar relacionado à temporada de balanços

Você conhece alguma lenda ou superstição, que ninguém sabe ao certo de onde vem, mas que gera medo e ansiedade até nos mais crédulos? No mercado financeiro ela existe e foi nomeada como “Maldição de maio na Bolsa”, ou “Maldição Bursátil”. Existe até um ditado inglês que provoca pavor nos investidores de ações: “sell in may and go away”, ou “venda em maio e vá embora”. Pode parecer besteira, mas a lenda se refere aos prejuízos no quinto mês do ano observados por estudiosos da área. 

“A ‘maldição’ do mês de maio tem origem no hemisfério norte e é, em princípio, atribuída ao fato de ser esse o mês de início das férias onde as atividades nas Bolsas diminuem sensivelmente em termos de volumes negociados. Há estatísticas de mais de meio século ‘provando essa teoria’ em termos absolutamente práticos”, explica Ricardo Rodil, especialista em finanças e sócio do Grupo Crowe Macro.

Maio também é maldito no Brasil?

Por aqui, alguns dados mostram uma tendência de piora no mês de maio. Entre 2009 e 2019, o Ibovespa registrou perdas no mês de maio 9 vezes. O Joesley Day, quando veio a público que o empresário Joesley Batista, do grupo J&F e que tem em seu guarda-chuva a JBS, havia delatado o então presidente Michel Temer à Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre um escândalo de corrupção. O circuit breaker foi acionado e o Ibovespa fechou em queda de 8,8%, com o dólar em alta de 8,15%, cotado a R$ 3,38 – maior aumento em 20 anos. Tudo isso aconteceu quando? Nos dias 17 e 18 de maio de 2017…

A “maldição” não pegou em 2019 por pouco, mas foi em 2020 que ela foi “quebrada” de vez, com o Ibovespa encerrando o mês com valorização de 8,58%, aos 87,403 pontos. 

“Pessoalmente, acredito que o dado isolado de baixas atividades e cotações em vários meses de maio em sequência deveria ser acompanhado de comparações mais amplas com aspectos conjunturais de cada ano, condições políticas e geopolíticas e condições econômicas mundiais.  É possível que essas coordenadas mostrem nuances que os fanáticos do ‘maio maldito’ não tenham levado em conta”, ressalta Ricardo.

Safra de balanços termina em abril

Analisando o fenômeno brasileiro, segundo o especialista, devemos ter ainda mais cuidado. “A safra de balanços por aqui vai até o dia 30 de abril de cada ano. Muitas das companhias abertas, especialmente instituições financeiras, publicam suas atas das assembleias com os valores dos dividendos até o fim de abril e início de maio. Isso pode influenciar em decisões de venda de ações, contribuindo assim com a superstição do ‘maio maldito’”, explica Ricardo. 

Na visão do especialista, isso não passa de uma lenda. “Esses movimentos pós-balanços são naturais, já que os investidores tendem a mudar suas posições de acordo com os números das demonstrações financeiras e dos dividendos distribuídos”, ressalta.

Maio de 2022 será amaldiçoado? 

Estamos passando por um ano volátil nas Bolsas do Brasil e do exterior, o que torna difícil fazer qualquer estimativa. “Temos os efeitos ainda incertos da pandemia, o fechamento “forçado” de cidades na China e o conflito Rússia-Ucrânia com seus ainda desconhecidos efeitos sobre o fornecimento de certas commodities fundamentais, como petróleo e gás, grãos e insumos para fertilizantes. Por aqui, estamos também em um ano eleitoral”, aponta Ricardo. 

Segundo o especialista, um maio “assombrado” ainda está entre as possibilidades, mas tudo pode mudar. “As pressões inflacionárias, a indefinição de uma “terceira via” nas eleições presidenciais são alguns elementos que dificultam uma estimativa confiável. Meu palpite é de uma certa estabilidade nos índices da B3. A alta recente nas cotações do dólar norte-americano pode levar investidores estrangeiros de volta à nossa Bolsa”, opina.

O momento pede cautela, mas sem desesperos. “O investidor focado no médio e longo prazo provavelmente ficará quietinho esperando o vendaval passar. Já o investidor que chamo de apostador, continuará fazendo suas apostas e perdendo aqui, ganhando ali”, ressalta Ricardo.

Há um ditado inglês que provoca pavor nos investidores globais do mercado de ações: “sell in may and go away” (venda em maio e vá embora). Essa história remete à Bolsa de Valores e aos potenciais prejuízos no quinto mês do ano. O resultado mostra por que maio é considerado “maldito” – Ilustração: Renata Miwa


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