Itaú BBA inicia cobertura das ações do Nubank: o que você precisa saber?

Essa é a primeira recomendação de venda para os papéis da fintech

– Ilustração: Marcelo Andreguetti

Pontos-chave

  • O mérito do Nubank está, segundo os analistas, na base de clientes
  • O grande desafio deverá vir da inadimplência do cartão de crédito

Grandes bancos passaram a acompanhar o desempenho dos papéis do Nubank (NYSE: NU e B3: NUBR33) menos de um mês depois do IPO da fintech em Nova York. Até o fechamento de 2021, os ativos listados da empresa na Bolsa americana tiveram alta de cerca de 4%. Na oferta pública inicial as ações foram precificadas a US$ 9. Nesta terça-feira (4), o Itaú BBA iniciou a cobertura do ativo, com recomendação underperform – ou seja: o desempenho está abaixo da média do mercado e equivale à venda dos títulos.

O preço alvo para o papel foi de US$ 8. No relatório, o Itaú BBA informa que o Nubank tem potencial para crescer, mas pede atenção ao valuation, que não teria muito espaço para o que os analistas chamam de “contratempos”. O documento reforça o que o mercado vem pontuando: o desafio da monetização dos clientes do Nubank.

A análise ressalta ainda que a expectativa é de que a possível alta da inadimplência chegue aos clientes da fintech. Se isso de fato acontecer, a percepção do mercado sobre o potencial de lucro por cliente do banco poderá ser afetada.

De acordo com o relatório, a receita vinda de serviços pode ajudar o Nubank. Mas a tarefa não será fácil, já que boa parte do lucro do setor bancário vem do crédito e tal serviço já está nas mãos dos grandes bancos. 

Essa é a primeira recomendação de venda para o Nubank. Morgan Stanley, Goldman Sachs e UBS recomendam a compra da ação, enquanto BTG e HSBC têm recomendação neutra. Os analistas do Itaú BBA elegeram o Inter como o banco digital favorito. Segundo eles, a instituição tem um valuation mais atrativo e um melhor perfil de crédito e cliente. 

Próxima etapa será desafiadora

A avaliação dos analistas do Itaú BBA é de que a fintech tem muito mérito ao construir uma base forte de clientes, em sua maioria ativos, mas que a próxima etapa será mais desafiadora. A inadimplência da indústria do cartão de crédito, por exemplo, deve se deteriorar neste ano, principalmente entre a população de baixa renda. E os cartões de crédito são o principal produto do Nubank. 

É aí que, na visão do Itaú BBA, o provável aumento da inadimplência pesará sobre o lucro por ação, colocando o Nubank em um dilema: a instituição restringe a aprovação de crédito e os limites do cartão ou continua acelerando o crescimento, visando outros indicadores?

A que você deve ficar atento em relação ao Nubank?

Os analistas do Itaú BBA levantam alguns pontos que merecem sua atenção, caso você decida se tornar minoritário(a) da instituição:

  • O capital levantado recentemente dá ao Nubank espaço para crescer;
  • O valuation deve incentivar o crescimento da fintech;
  • A carteira de crédito pessoal passou de R$ 1 bilhão, em dezembro de 2020, para R$ 5 bilhões em setembro de 2021;
  • Esta carteira precisa ser monitorada de perto, porque é possível que uma parte dela tenha sido originada por clientes de cartão de crédito, o que pode trazer um aumento do risco de crédito.

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