Neste ano, houve 45 IPOs e 23 follow-ons. Investidor, o que esperar do último trimestre?

Segundo pesquisa, 56% das ofertas públicas iniciais em 2021 tiveram retorno negativo até setembro. Saiba o que isso significa para as suas aplicações

Ilustração traz representação abstrata de um IPO: a oferta pública inicial de ações de uma empresa
– Ilustração: Marcelo Andreguetti/IF

Pontos-chave

  • As emissões em IPOs somaram R$ 63,4 bilhões até setembro. A participação de investidores individuais dobrou de 2019 para cá
  • Apesar da euforia, mais da metade dos IPOs tiveram retorno negativo
  • Fique atento: estude e busque opiniões do mercado

Este ano tem sido movimentado quando o assunto é IPO. Até o final de setembro, foram realizadas 45 ofertas públicas iniciais e 23 follow-ons. O número já superou o de 2020 e é o maior desde 2007, quando foram registradas 76 ofertas. O que explica esse salto? Segundo Thomas Giuberti, sócio da Golden Investimentos, houve um amadurecimento e evolução do mercado financeiro. “Isso veio com um período de juros baixos. As companhias tiveram mais facilidade para captar recursos”, explica. Mobly, Espaço Laser e Smartfit foram algumas das empresas que estrearam na B3

Segundo um levantamento divulgado pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), as emissões em IPOs somaram R$ 63,4 bilhões até setembro deste ano. Os investidores institucionais ainda têm a maior fatia de participação, mas a presença de pessoas físicas vem crescendo nos últimos anos. Em 2019, de acordo com a B3, era de 4% – número que saltou para 7% no ano seguinte. Neste ano, a média está em 8%.

“Hoje temos 4 milhões de CPFs na Bolsa de Valores. O investidor individual foi para lá em busca de uma rentabilidade maior, indo além da renda fixa. Ao mesmo tempo, muita gente começou a falar de IPOs, o que fez com que a participação e o interesse aumentasse”, ressalta Danielle Lopes, sócia da Nord Research.

Nem tudo que reluz é ouro

Apesar dos IPOs serem o assunto do momento, um levantamento divulgado pela Nord Research traz um alerta. Segundo a pesquisa, 56% das ofertas públicas iniciais em 2021 tiveram retorno negativo até setembro. O que isso significa? As ações dessas empresas tiveram uma desvalorização no dia da coleta dos dados, 22 de setembro, em relação ao preço na data de início da negociação na B3. O pior retorno foi o da Mobly. Comparado à estreia em fevereiro, as ações tiveram uma baixa de 67%. 

“Algumas empresas prometeram demais: crescimento, aquisições, alavancagem. O mercado ficou pessimista, os juros subiram e projetos não ganharam fôlego. Foi ‘água no chopp’ dos IPOs.”

Danielle Lopes, sócia da Nord Research

A frustração do investidor também colaborou para o cenário. “Ele está se desfazendo de ações que acha que não terão uma performance tão boa e optando por empresas que têm um histórico na Bolsa e já atravessaram ciclos ruins. Já pudemos ver os resultados de um ou dois trimestres de algumas companhias e ter a noção se elas vão entregar tudo aquilo que prometeram”, ressalta Danielle. 

A alta volatilidade do mercado, a proximidade das eleições e o aumento da taxa de juros devem desacelerar esse movimento de IPOs no último trimestre de 2021 e no ano que vem. Algumas empresas, inclusive, deram um passo para trás. Como é o caso da rede de academias Bluefit e da farmacêutica Althaia, que suspenderam suas ofertas públicas na Bolsa quase nos 45 minutos do segundo tempo.

“As empresas vão ter mais cautela para abrir capital. O investidor também está mais seleto. Talvez a gente tenha mais follow-ons, com companhias emitindo mais ações para captar recursos. Ainda é incerto como será 2022. Talvez no segundo semestre podemos ver um aumento dessas ofertas”, analisa Danielle.

O que você deve considerar antes de entrar em um IPO

Apesar da desaceleração, entrar em um IPO pode sim ser vantajoso. “Ao participar de uma oferta pública inicial você é um dos primeiros investidores daquela companhia. Muitas ações acabam se valorizando”, ressalta Thomas. A empresa de logística Vamos, por exemplo, teve um resultado positivo desde a estreia em janeiro. No final de setembro, a valorização do papel foi de 130%.

Antes de entrar em um IPO é preciso ter cautela e considerar alguns pontos:

Estude a empresa

Estudar a empresa e o mercado em que ela atua é o ponto-chave e tarefa de casa para qualquer um que queira participar de uma oferta pública. “Você precisa entender a companhia, analisar os relatórios publicados e não concentrar todo seu investimento. É fundamental conhecer o produto ou serviço que ela oferece, seu potencial e ter muita informação”, aconselha Thomas, da Golden Investimentos.

Leia o prospecto

Ele deve ser seu guia. O prospecto é o documento onde a empresa reúne todas as informações do IPO. Muitas vezes ele tem centenas de páginas. Você muito provavelmente não vai ler tudo, mas preste atenção em alguns pontos para tomar uma decisão bem embasada: qual a proposta da companhia, os objetivos da captação, o setor em que atua e como o recurso será investido.

Os prospectos das ofertas públicas podem ser acessados no próprio site da B3. As informações te dão um norte, mas não devem ser determinantes. “As empresas sempre vão passar dados muito bons. É tudo muito bonito, florido, o que vai te passar a sensação de que a compra da ação é a melhor escolha. É importante ter isso em mente. Para o investidor iniciante pode ser uma armadilha muito grande”.

Busque opiniões de fora

Procure opiniões de especialistas e depoimentos de profissionais de instituições e casas de análises especializadas. Entenda o que o mercado está dizendo sobre o IPO. A B3 alerta: “Na hora de avaliar uma oferta pública de distribuição, verifique também as análises feitas da corretora sobre a empresa ou o fundo que está realizando a oferta, dando especial atenção aos fatores de risco”.

Fique de olho no lock-up

O lock-up nada mais é do que uma cláusula contratual que te obriga a ficar com ações da companhia durante um período determinado. Se você deseja participar de uma oferta pública com lock-up, fique atento ao prazo, ou poderá pagar uma multa se quiser se desfazer dos papéis antes da hora. “Muitas vezes o investidor não se dá conta e precisa ficar com a ação por 30, 45, 90 dias. Ao longo desse período já saiu um resultado e ele viu que não foi tão legal. Mesmo assim não consegue vender”, explica Danielle.


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