Investidores estrangeiros deixam R$ 70,75 bi na Bolsa: o que você pode aprender com eles?

Eles, por exemplo, nunca olham só o preço, são frios e buscam bons fundamentos

O que o investidor estrangeiro tem a nos ensinar
– Ilustração: Renata Miwa

Pontos-chave

  • Os estrangeiros representaram 50,2% do total de investidores na B3
  • Em 2020, os investidores internacionais tinham retirado R$ 31,8 bilhões da Bolsa brasileira

A queda de 12% na Bolsa de Valores brasileira em 2021 não assustou pelo menos um tipo de investidor: o estrangeiro. No acumulado do ano, eles aportaram R$ 70,75 bilhões em ações listadas na B3. A informação é da própria Bolsa brasileira. A pior baixa não acontecia desde 2015, quando a instituição registrou uma queda anual de 13,3%.

Só para você ter uma ideia, no último dia útil do ano (30 de dezembro), os estrangeiros injetaram R$ 967,8 milhões no segmento secundário, que são as ações já listadas. Neste mesmo dia, o Ibovespa fechou em alta de 0,69%.

Para você ter como comparação, em 2020, os investidores estrangeiros tinham retirado R$ 31,8 bilhões da Bolsa brasileira. Os estrangeiros representaram 50,2% do total de investidores em ações no Brasil. Os institucionais detêm 25,7% dos papéis listados, e as pessoas físicas, 18,7%.

Quanto os brasileiros investiram na Bolsa em 2021?

Já o movimento dos investidores brasileiros tem sentido oposto ao dos estrangeiros. Ainda no dia 30 de dezembro, as pessoas físicas sacaram R$ 582 milhões que estavam em ações, ampliando o déficit mensal para R$ 2,81 bilhões em dezembro. O saldo anual de ingressos de pessoa física ficou negativo em R$ 6,64 bilhões.

E o investidor institucional? Bem, este retirou R$ 370,1 milhões no mesmo dia, aprofundando o déficit mensal para R$ 13,56 bilhões. Com isso, a retirada de recursos anual do investidor institucional ficou em R$ 78,53 bilhões.

O que os investidores estrangeiros compraram?

Os investidores estrangeiros compraram de um tudo: desde IPO até follow on (quando uma empresa de capital aberto emite mais ações). “E vamos lembrar que o estrangeiro responde por metade do que é negociado na Bolsa brasileira. Portanto, qualquer movimento que eles façam tem bastante eco no mercado”, afirma Ilan Arbetman, research da Ativa Investimentos.

Por que os investidores estrangeiros estão vindo para o Brasil?

Primeiro, porque nossas ações estão baratas em relação a outras Bolsas mundiais e mesmo em relação à nossa Bolsa em anos anteriores. “Com um dado importante: os resultados das empresas estão muito bons, mesmo com uma piora da economia”, afirma Bruce Barbosa, sócio-fundador da casa de análise Nord. “E lembre-se: a composição do Ibovespa é de mais ou menos 30% com commodities, 30% com bancos e o resto vem de setores como o varejo, que depende da economia local. Mas o dólar mais caro favorece as empresas de commodities. Os bancos, por sua vez, estão saindo da pandemia, e estão sendo super lucrativos.”

O estrangeiro praticamente é expulso de outros mercados internacionais. “Veja o caso da economia americana: a Bolsa americana está mais cara e os juros por lá são muito mais baixos, mas o crescimento econômico é maior”, afirma Bruce Barbosa. É o risco do negócio.

Assim como é o risco-país. “Esse rico é levado muito em consideração e entra aí um desconto. O estrangeiro olha a relação risco/retorno de outros países e compara. Por enquanto, o Brasil está valendo a pena”, afirma Rodrigo Crespi, analista da Guide Investimentos.

O que você pode aprender com os estrangeiros

Podemos tirar muitas lições com os investidores estrangeiros. “Uma delas é pensar no longo prazo”, afirma Bruce Barbosa, da Nord.

Há ainda a cultura estrangeira de procurar empresas com bons fundamentos e com perspectiva de crescimento. “É estudar o mercado, entender as estratégias das empresas”, salienta Rodrigo Crespi, analista da Guide Investimentos.

Crespi levanta ainda outro ponto que para a gente é difícil, mas para o estrangeiro, que está distante da nossa realidade, é mais fácil de executar. “Ele não se assusta com ruídos, com o dia a dia das informações. Ele olha para os bons fundamentos das empresas. A gente se assusta mais facilmente”, diz Crespi.

É claro que preço é importante, mas não é tudo. “Os estrangeiros nunca olham só para o preço. Eles analisam a consistência das empresas”, afirma Crespi.

Para Matheus Jaconeli, economista da Nova Futura Investimentos, por uma série de facilidades, o investidor estrangeiro diversifica seu risco geograficamente, com ativos de empresas brasileiras. Aos poucos os brasileiros também começam a pensar estrategicamente da mesma forma.

Agora, para isso, o estrangeiro tem uma arma poderosa. “Ele não se assusta com a volatilidade dos papeis de cada país”, afirma Jaconenli. E como você pode ser mais frio com seus investimentos? “É preciso estudar, ter literatura de investimentos, ler os livros dos gestores, como Howard Marks, que mostram cases de momentos de crise.”

A grande diferença do investidor estrangeiro está num ponto só: eles acertam mais do que erram. Mas erram. E é essa a equação que vai te levar ao lucro, até porque é impossível não perder dinheiro na renda variável, concorda?


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