O que faria um dos maiores gestores do mundo em um mercado volátil como o nosso?

Howard Marks, da Oaktree, tem duas regras de ouro para cenários como o brasileiro

Ilustração de carteira com elementos remetendo a diversos tipos de investimentos
– Ilustração: Marcelo Andreguetti/IF

Pontos-chave

  • É preciso ter um forte controle dos riscos
  • Títulos com baixo risco de crédito resistem bem às crises

A vida dos investidores do mundo, incluindo a dos brasileiros, não anda fácil. O cenário atual combina alta de juros para conter a inflação persistente, covid-19 desacelerando a economia da China e guerra entre Rússia e Ucrânia sem previsão de acabar, entre outros problemas.

Em momentos de baixa dos mercados e de bastante volatilidade, como agora, diversificar os investimentos e ter visão de longo prazo são os conselhos mais importantes que os pequenos investidores devem seguir. A dica é de David Rosenberg e o Wayne Dahl, da Oaktree, uma das gestoras de ativos mais importantes dos Estados Unidos.

Rosenberg é co-gestor de portifólio de crédito global da casa e Dahl, diretor administrativo e analista de risco de investimento. Eles estiveram em São Paulo a convite da Gama Investimentos, que traz os fundos da Oaktree para o Brasil. A Oaktree, com US$ 166 bilhões sob gestão, é conhecida por apostar em ativos alternativos, com alto potencial de risco e de retorno, que podem ser crédito privado, imóveis, private equity e ações.

Quem é Howard Marks

Um dos fundadores da Oaktree é Howard Marks, um dos maiores investidores do mundo e autor de livros de investimentos entre os mais vendidos nos Estados Unidos. Ele é admirado pelos memorandos que escreve, que detalham as suas estratégias de investimentos e visões sobre economia e costumavam ser lidos por Warren Buffett.

Lição número 1: ter visão de longo prazo

Rosenberg e Dahl trabalham com Marks há anos e contam que o aprendizado mais importante que tiveram com o famoso investidor é ter visão de longo prazo. “A coisa mais poderosa que você pode fazer em períodos de volatilidade como este é ter convicção. O maior erro que os investidores cometem é comprar e vender ativos em pânico”, afirma Rosenberg. “Se você gerenciou bem o risco da sua carteira, estará confortável e não precisará se preocupar com o barulho ao redor.”

Por que os investidores erram?

Dahl acrescenta que especialmente os investidores menores dificilmente conseguem cronometrar a hora certa de entrar em um investimento. “Continuaremos passando por volatilidades como não passávamos há muito tempo. Às vezes você vai se atrasar para entrar em um investimento e outras vezes vai sair cedo demais. Por isso, você deve se ater à sua convicção”, recomenda. “O controle dos riscos e a paciência são a chave para o sucesso de longo prazo.”

Os gestores da Oaktree acham que os mercados continuarão bastante voláteis pelos próximos meses, especialmente enquanto os investidores ainda não souberem até onde o Federal Reserve vai aumentar os juros e em qual ritmo para conter a inflação. Nesse cenário, eles acreditam que a fuga dos investidores da renda variável para a renda fixa deve continuar. “É difícil imaginar que teremos uma ou duas semanas de volatilidade e tudo ficará bem novamente”, afirma Rosenberg.

Desaceleração nos Estados Unidos

Como muitos especialistas dos Estados Unidos, os gestores preveem que a atividade econômica dos EUA vai desacelerar e projetam alto risco de recessão. Ao aumentar juros para conter a inflação, o Fed desestimula o consumo e acaba ajudando a atividade econômica a desacelerar.

“O Fed realmente não tem escolha a não ser continuar subindo juros até a inflação cair. A economia vai desacelerar”, diz Dahl. Ele avalia que o banco central norte-americano não tem opção porque precisa controlar a inflação que já está persistente, e não o medo de que a inflação se torne persistente, como aconteceu nos últimos 40 anos.

Investimentos no exterior e crédito privado

Nesse contexto, os gestores da Oaktree ainda sugerem aos brasileiros diversificar os investimentos no exterior, mesmo com os rendimentos da renda fixa muito atrativos no Brasil, com a Selic em 12,75% ao ano. “Não vejo problema em ter ações e renda fixa no Brasil, mas tenha investimentos no exterior também. Eles são uma ferramenta inteligente de diversificação, especialmente quando as economias não vão bem”, aconselha Rosenberg.

Foco na renda fixa

Dahl destaca que há uma chance real de os juros aumentarem acima do esperado, o que pode causar volatilidade até para quem tem títulos de renda fixa. Além disso, ele ressalta que o futuro dos mercados no Brasil é muito incerto com as eleições chegando.

Além disso, os gestores da Oaktree, especialistas em crédito privado, afirmam que é hora de aproveitar os bons rendimentos da renda fixa sem aumentar o risco de crédito, ou seja, o retorno dos títulos de crédito privado podem não compensar o risco de calote. “Quem conseguir comprar títulos com baixo risco de crédito resistirá muito bem a essa volatilidade”, afirma Rosenberg. Bons gestores de fundos de crédito privado podem ajudar os investidores menores nessa tarefa.

Com conteúdo do site Valor Investe, um veículo Globo Notícias

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