Dívida pública e eleições: como a corrida presidencial impacta o Tesouro Direto

Conhecendo essa relação, você pode investir melhor

Tesouro Direto brasileiro: como investir?
– Ilustração: Marcelo Andreguetti

Pontos-chave

  • A relação entre eleições e títulos de dívida pública está ligada à política monetária
  • Em cenários desafiadores, a expectativa é de aumento nos juros

O Brasil vive um ano importante com eleições em outubro. A corrida presidencial tem vários impactos na vida dos brasileiros, e um deles é na dívida pública do país. 

Nesta terça-feira (21), a chapa Lula-Alckmin lançou a nova versão das diretrizes do programa de governo e o mercado financeiro ficou de olho no documento, que fala em mudanças nas regras trabalhistas e no teto de gastos. 

Notícias relacionadas às eleições geralmente impactam a rentabilidade de títulos de renda fixa, como os do Tesouro Direto. Entender como e por que as variações acontecem vai te ajudar a investir melhor o seu dinheiro. 

Juros futuros

O conceito de juros futuros é muito importante para quem quer investir melhor em títulos de dívida pública. Conforme eventos importantes vão acontecendo, o mercado financeiro vai estimando a evolução da taxa básica de juros no Brasil, a Selic

Os agentes tentam determinar quanto os títulos vão pagar no futuro analisando fatores macroeconômicos, políticos e até ambientais, se estes interferirem na economia do país. 

Veja abaixo as principais diferenças entre os títulos de dívida pública:

Por que o Tesouro Direto muda de preço todos os dias?

Os títulos do Tesouro Direto têm uma flutuação diária em seus preços. Essa variação é determinada pelo preço dos contratos de juros futuros negociados na B3. A marcação reflete o juro que o mercado espera para a data de vencimento do contrato. 

Logo, se você comprou um título que vence em dois anos que paga uma taxa fixa de 10% e o mercado espera que no mesmo período os juros fiquem em 12%, esse papel fica menos interessantes, já que haverá outras opções melhores no mercado. O contrário também pode acontecer se a estimativa do mercado é de Selic a 8% no período; nesse cenário, o título ganharia atratividade. 

Eleições e dívida pública

Não é qualquer evento que tem a força de mexer nos preços dos títulos da dívida pública. As eleições, porém, estão na lista dos mais importantes nesse aspecto, já que os votos decidem, entre outras coisas, o futuro da política monetária do país. 

“Quando você tem um cenário desafiador e o mercado espera que seja eleito alguém que vai fazer alguma besteira e mudar políticas que estão dando certo do ponto de vista fiscal, a expectativa de juros no futuro sobe e o preço dos ativos prefixados cai”, explica Felipe Lima, gestor na FL Asset. 

Por outro lado, se o mercado espera que o candidato favorito para assumir a presidência vai fazer bem para a economia, a curva de juros futuros tende a diminuir. Isso porque o mercado entende que, com esse candidato, o Banco Central vai conseguir controlar a inflação e abaixar os juros. Sendo assim, o preço de um ativo prefixado tende a subir se os juros esperados para o seu vencimento são menores do que a rentabilidade que ele vai entregar. 

Como os ativos pós-fixados são impactados?

No caso dos ativos pós-fixados, ligados à Selic e ao IPCA, essa expectativa do mercado também pode trazer impactos nos preços. Se os prefixados estão mais atrativos e o mercado espera inflação e juros mais baixos, Tesouro Selic, Tesouro IPCA e Tesouro IPCA+ tendem a ser menos procurados, o que fará os preços caírem. “Para pensar na relação entre eleições e títulos de dívida pública, é preciso refletir sobre o que vai influenciar a política monetária no futuro”, resume Lima. 

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