ETFs e fundos de investimento: parecem iguais, mas não são; conheça cada um deles

Veja o racional das estratégias antes de tomar sua decisão

Quais são os principais índices que o investidor tem que ficar de olho
– Ilustração: Marcelo Andreguetti

Pontos-chave

  • Nos fundos, os lucros são distribuídos proporcionalmente entre os cotistas
  • Já o ETF é um ativo negociado na B3

Os fundos de investimento são muito populares entre investidores que buscam diversificar suas aplicações no mercado e estar expostos a diferentes graus de risco e rentabilidade. Da mesma forma, os ETF trazem a proposta da diversificação, mas têm características diferentes das de um fundo tradicional. A Inteligência Financeira separou os principais pontos para guiá-lo neste tema.

Como funciona um fundo de investimento

Um fundo de investimento “vende” cotas de participação e, então, investe em fundos imobiliários, previdência privada, ESG, multimercados, entre outros ativos. Os lucros são distribuídos proporcionalmente entre os cotistas. Um único fundo pode aplicar seus recursos em dezenas de companhias. Para participar de um fundo de investimento, é necessário abrir conta em uma corretora ou em um banco.

Como funciona um ETF

Um ETF também é um fundo de investimento com essas características, porém é negociado como as ações, via B3, e são intermediados pelas corretoras. Em geral, esse tipo de fundo replica os investimentos de um índice, por isso são também chamados de fundos de índices ou fundos espelhos. O BOVA11, por exemplo, é um ETF que replica o indicador mais importante de desempenho médio das cotações das ações da B3, o Ibovespa. Ou seja, trata-se de uma cesta que reúne as principais empresas presentes no Ibovespa, tendo rendimento muito semelhante a ela. O investidor lucra quando as cotas se valorizam no longo prazo, podendo comprá-las quando os preços estiverem baixos e vendê-las quando houver alta.

Existem também ETFs que seguem o desempenho de commodities, como petróleo; ETFs temáticos, que reúne empresas de diferentes focos e ETFs de renda variável e fixa.

Quais são as taxas cobradas em um ETF e em um fundo?

Por terem a função de acompanhar os índices do mercado, ETFs têm de gestão passiva. Por isso, a gestão de um ETF é menos complicada e mais barata, pois exige menos do gestor.

As taxas cobradas em um ETF são:

  • Taxa de administração: remunera a gestão. A cobrança já é embutida no valor das cotas;
  • Taxa de corretagem: valor pago para a corretora, mas algumas corretoras não cobram essa taxa;
  • Taxa de custódia: cobre custos de operação pela guarda dos ativos, e pode ser cobrada tanto pela Bolsa quanto pela corretora;
  • Emolumentos: são cobrados pela Bolsa quando os investidores compram e vendem ativos.

As taxas geralmente cobras em fundos de investimento são:

  • Taxa de administração: em fundos de gestão passiva, a taxa é de até 1%; nos ativos, chegam a 2%;
  • Taxa de performance: em fundos de renda variável, essa taxa remunera os gestores quando o lucro da gestão ativa supera um índice;
  • Taxas de entrada e saída: comuns em fundos de previdência, são taxas cobradas no momento do resgate dos valores, como forma de incentivo para que os investidores deixem o dinheiro no fundo por mais tempo. A taxa de entrada cobre os custos da corretora no momento do ingresso do investidor e a taxa de saída serve como penalidade pela retirada do dinheiro antes do momento ideal.

De quanto são os impostos sobre os ETFs?

Os ETFs estão sujeitos ao Imposto de Renda, de 15% sobre os ganhos, assim como é feito para o mercado de ações. A diferença está no fato de que não há isenção de IR para investidores que negociam valores menores do que R$ 20 mil por mês, benefício reservado aos acionistas.

O recolhimento do IR é feito na fonte para ETFs de renda fixa, mas a vida do investidor de ETFs de renda variável é um pouco mais complicada. Neste caso, o valor do imposto não é retido diretamente na fonte, ficando a cargo do investidor calcular o valor do imposto a ser pago e quitá-lo através do Documento de Arrecadação de Receitas Federais (DARF) até o último dia útil do mês que segue a operação.

IOF não incide sobre os ETFs

Um ponto positivo é a isenção do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre os ETFs. Ou seja, para resgates feitos nos primeiros 30 dias de aplicação, não há cobrança alguma.

O IOF está presente nos demais fundos de investimento para resgates nos primeiros 30 dias, além da tributação fixa de 15% sobre o lucro contra outros fundos que seguem a tabela regressiva e que começa com 22,5% de imposto nos primeiros 6 meses.

IOF e IR são cobrados dos fundos tradicionais

Já para fundos de investimento tradicionais, além do IOF, é cobrado o IR pela tabela regressiva: 

  • 22,5% até 180 dias de aplicação; 
  • 20% de 180 a 360 dias de aplicação; 
  • 17,5% de 361 a 720 dias de aplicação;
  • 15% para mais de 720 dias de aplicação.

Quais são as vantagens dos ETFs? 

Os ETFs tiveram crescimento histórico de 2020 para cá, oferecendo mais praticidade para investir através de plataformas a custos menores do que em fundos tradicionais. A volatilidade dos ativos durante a pandemia de Covid-19 levou investidores moderados e arrojados a migrarem para os ETFs, que tendem a ser mais estáveis. Também há a influência de quem busca fundos temáticos menos custosos, como o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE).

Eduardo Grübler, gestor de renda variável da Warren Asset, acredita que os ETFs permitem a diversificação, são simples e têm um custo muito competitivo.

Qual é a desvantagem dos ETFs?

Uma desvantagem em relação aos ETFs está na tributação, que não oferece isenção de IR para vendas de ativos inferiores a R$ 20 mil, além do processo de preenchimento da DARF. Além disso, esse tipo de investimento ainda é recente no Brasil – o primeiro ETF data de 2004. Por ser menos difundido, sua liquidez é menor. É possível citar ainda as limitações da gestão passiva, que, embora seja mais segura, traz menos lucro do que em fundos que arriscam mais.

Enquanto o acompanhamento dos dados sobre o patrimônio de um EFT pode ser feito em tempo real na Bolsa, os cotistas de fundos tradicionais dependem de relatórios mensais enviados pelas corretoras.

No caso de fundos tradicionais, a diversificação promovida pela equipe responsável pela aplicação do patrimônio é uma vantagem. É de se impressionar também a variedade de fundos, de todos os tipos, tamanhos e bolsos. Por trás de toda essa variedade, porém, existe o sistema de come-cotas, uma desvantagem em relação ao ETF.

Colaborou Anne Dias

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