As boas práticas para conversar sobre investimentos com amigos e familiares

Saiba como tirar proveito das dicas financeiras das pessoas mais próximas

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Quais os livros mais vendidos de economia e finanças no Brasil? – Ilustração: Renata Miwa

Pontos-chave

  • Ter uma jornada de investimentos é melhor do que copiar a estratégia de outra pessoa
  • Fontes confiáveis ajudam a identificar e escapar de golpes financeiros

Buscar conhecimento está entre as principais recomendações para quem entra no mundo dos investimentos e deseja valorizar cada vez mais as reservas financeiras. O aprendizado pode ser por cursos, conversas com profissionais autorizados do mercado ou até mesmo pela troca de experiências com amigos e familiares. A última opção, no entanto, guarda um potencial problema: muitas pessoas costumam superestimar seus acertos e acabam escondendo os erros. Por isso, em razão dessa distorção, o assunto pode ser um tanto delicado de ser tratado nas relações pessoais.

A Inteligência Financeira consultou especialistas para saber como estabelecer uma boa convivência e tirar proveito das dicas de pessoas mais próximas. Para a terapeuta financeira e mestre em educação financeira Cíntia Senna, falar de investimentos entre conhecidos é uma forma de estimular “a cultura de poupar e aplicar parte do que se ganha”. “Os principais assuntos envolvendo finanças são sobre dívidas ou falta de dinheiro. Então tratar de investimentos contribui ao menos para que o outro pense que é possível começar a poupar para poder aplicar”, afirma.

O planejador financeiro Raphael Carneiro, da Petra Capital, destaca que o papo sobre finanças é necessário e deveria seguir a lógica de outros assuntos convencionais. “A gente conversa sobre carro, futebol, onde o pão está mais barato. Então é válido debater sobre investimentos. Assim, as pessoas podem ter um contraponto ou outras visões. Algo em que não pensavam e podem ajudar no crescimento delas como pessoas investidoras”, avalia.

Fontes confiáveis acima de tudo

O boca a boca, na avaliação dos especialistas, acaba sendo a origem de muitos golpes financeiros. Por isso, a primeira orientação é não acreditar em tudo o que os outros propagam, principalmente quando envolve ganhos expressivos. “Tem que ter um embasamento maior das fontes. Viu algo que deixou desconfiado? Pesquise antes de passar a recomendação para frente”, diz Cíntia Senna. “Leve as dúvidas para o grupo e esclareça tudo antes de tomar alguma posição”, aponta.

Não deixe de consultar os profissionais

Dentro dos laços familiares e de amizade, alguém que é considerado uma referência em finanças eventualmente acaba sendo interpelado sobre como resolver um problema ou sobre qual é o melhor investimento, observa a economista Paula Sauer, professora de Economia Comportamental da ESPM. Então, uma forma de ajudar coletivamente, é reunir as pessoas para comprar um curso ou ter a consultoria de um agente autorizado do mercado. “Nos casos mais sensíveis, até para não misturar emocional e racional, é mehor não se envolver e recomendar um profissional de confiança”, comenta.

Entendendo a jornada de investimentos

Repetir uma aplicação bem-sucedida de outra pessoa não é garantia de resultados posivitos para a própria carteira. Por isso, o planejador financeiro Raphael Carneiro destaca que é preferível saber os detalhes da estratégia. Algumas perguntas podem ser feitas para ter uma melhor compreensão daquele desempenho, especialmente entender como funciona determinado ativo, os riscos envolvidos e o momento em que foi feito o investimento. “Aquele amigo que teve um ganho expressivo em determinado mês, você sabe qual foi o risco que teve que correr? Você aceitaria o mesmo?”, indaga. “Então você não pode pegar o que uma pessoa fez e colocar em sua realidade sem assimilar todo o contexto. Investimento precisa ser uma decisão individual, no sentido de a pessoa entender e fazer”, acrescenta.

Dividir erros é um grande avanço

Como é possível perder dinheiro com os investimentos? A terapeuta financeira Cíntia Senna considera que expor com clareza as situações em que a pessoa errou e se deu mal pode ser produtiva na construção de uma relação saudável para falar do assunto. “Isso gera ensinamento. Vai ajudar todos os envolvidos a ter um olhar mais atencioso, para entender os erros de percurso e melhor as decisões”, afirma.

“Muitas vezes o que a outra pessoa quer é ter alguém do lado dela que entenda um pouco mais de finanças para confirmar as suposições dela ou alertar que aquilo que ela está fazendo não é adequado”, avalia a economista Paula Sauer. “Então munir essa pessoa com informações, com experiências de investimentos que podem não ter dado certo, podem ajudar a mudar um comportamento e aumentam as chances de ter um sucesso”, completa a especialista.


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