Como usar a temporada de balanços a seu favor

A temporada de divulgação dos balanços começou e os dados vão movimentar o Ibovespa. Saiba como usar essas informações

Ilustração representando investimentos
– Ilustração: Marcelo Andreguetti/IF

Pontos-chave

  • Lucro, receita e dívida são indicadores importantíssimos
  • Olhar para apenas um dado é um erro
  • Adicione contexto ao balanço trimestral para uma análise assertiva

A temporada de divulgação dos balanços do terceiro trimestre começou. E tem muito investidor de olho nos números das principais empresas do Brasil, com dados que certamente vão movimentar o Ibovespa nas próximas semanas. Mas eles devem mexer na sua carteira? Você sabe como interpretar esses números? Ouvimos especialistas no assunto para responder essas perguntas. 

Onde encontrar os dados

As empresas de capital aberto são obrigadas a divulgar seus dados financeiros. Elas fazem isso a cada três meses e usam suas páginas na internet de Relações com Investidores para publicar as informações. O jeito mais fácil de encontrar os balanços trimestrais é fazer uma rápida pesquisa em um buscador com o nome da empresa e o termo “relações com investidores” ou sua abreviação: “RI”. Se você quer ter acesso aos últimos balanços da Vale, por exemplo, pesquise por “Vale RI” ou “Vale Relações com Investidores”. 

Além dos balanços, as empresas usam suas páginas de RI para publicar fatos relevantes, atas de reuniões e assembleias, comunicados ao mercado e relatórios anuais.

Principais indicadores

Lucro e receita 

Quem abre o release de resultados já procura por esses dois indicadores. Afinal, é importante saber se a empresa fechou o trimestre no azul e quanto vendeu para chegar nesse resultado. Olhando para a receita o investidor consegue saber se os produtos da empresa estão atendendo o mercado e se há procura por eles. A partir do lucro ou prejuízo no período, dá para saber se a companhia está performando bem e gerando resultado. 

Aqui, uma conta vai te ajudar a entender se a empresa é eficiente. Basta dividir o Ebtida (lucro antes de impostos, juros, amortização e depreciação) pela receita líquida e multiplicar o resultado por 100. Esta é a fórmula para calcular a Margem Ebtida, que mostra a margem de lucro em termos relativos. Se a Margem Ebtida é de 6%, significa que a empresa é pouco eficiente e tem pouca margem de lucro. 

A análise deses indicadores deve considerar a história e o momento da empresa. Se é uma companhia nova, que ainda está em fase de crescimento, o mercado tolera lucro baixo ou até mesmo prejuízo, apostando em um retorno no longo prazo. Se a empresa já está estabelecida em seu setor e começa a dar prejuízo, os investidores costumam penalizar suas ações

Dívida

O investidor também precisa ficar de olho na quantidade de dinheiro emprestado que a empresa está usando. Essa informação aparece no balanço no indicador de endividamento líquido. “Se a empresa está com algum projeto novo, é normal haver endividamento. Caso contrário, o cenário é um pouco mais sensível. O indicador revela o momento da companhia”, explica Matheus Jaconeli, economista da Nova Futura Investimentos.

É importante considerar que alguns setores contraem mais dívida que outros. Empresas de construção civil e metalurgia costumam ter alavancagem alta por lidarem com projetos caros e demorados. 

Uma forma de analisar o endividamento da empresa é dividir a dívida líquida pelo Ebtida (l). Fazendo essa conta, o investidor consegue saber quanto tempo a companhia levaria para pagar sua dívida com a própria geração de caixa, ou seja, sem pegar mais dinheiro emprestado. Se a conta for igual a quatro, isso significa que a empresa precisa multiplicar por quatro a geração de caixa atual para poder pagar suas dívidas.

Expectativa de mercado

Analisar o momento de uma empresa não é uma tarefa simples. Conhecer apenas um indicador não é suficiente para julgar se vale ou não a pena o investimento. É preciso conhecer o momento do setor onde aquela companhia atua, o cenário macroeconômico, os projetos da companhia e a opinião do mercado sobre a gestão. 

“O que mais faz preço é a estimativa do mercado. Se os resultados vêm acima do esperado, as ações tendem a subir e vice-versa”, ensina Rodrigo Crespi, analista da Guide Investimentos. Um jeito simples de entender se os números são negativos ou positivos é conhecer o que os bancos, corretoras e casas de análise esperavam para os balanços. Essas empresas divulgam análises antes e depois da divulgação dos balanços. 

O investidor pode aproveitar a expectativa que o mercado tem para a empresa para avaliar os resultados. Nas análises estão fatores macroeconômicos, as particularidades da empresa e do setor onde atua. 

Quando mexer na minha carteira? 

Você analisou os resultados, não gostou de um indicador ou outro e agora quer saber se é o momento certo de vender o papel. Saber se é o momento ideal de comprar ou vender fica ainda mais difícil olhando para o longo prazo: e se a empresa se recuperar? E se esses bons resultados forem momentâneos? 

Rodrigo Crespi dá a receita: mude quando o preço da ação não condiz com os resultados, quando a empresa apresentar resultados diferentes do esperado pelo mercado e quando o cenário macroeconômico foi desfavorável ou beneficiar aquela companhia. A decisão de mudar a carteira deve considerar vários critérios, por isso é importante estar ligado no que o mercado está dizendo sobre esses três fatores e fazer sua própria análise. 

“O balanço não é a única fonte de informação de investidores, analistas e economistas. Ele dá informações importantes sobre a saúde financeira da empresa, mas é necessário sempre olhar para o cenário completo”, afirma Matheus Jaconeli, da Nova Futura Investimentos.


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