Como recompor sua carteira de investimentos agora

Há bons ativos no mercado, mas é hora de você ser bem mais seletivo

Pontos-chave

  • Com os juros subindo, crescem as recomendações de investimento em renda fixa
  • Apesar da queda recente, a Bolsa ainda tem boas oportunidades
  • O investidor arrojado pode pensar em investimentos dolarizados

Os juros estão subindo, a inflação está assuntando, o desemprego não tem melhoras significativas e teremos eleições no ano que vem. Quando o investidor olha para o cenário atual, certamente cogita mudanças em sua carteira para passar bem pela crise, ou pelo menos reduzir perdas. É o seu caso? Então veja as oportunidades em cada classe de ativos.

Renda fixa

A Selic é a referência para esse tipo de investimento. Com a taxa subindo, a renda fixa passa a ser mais procurada. Bruna Marcelino, estrategista-chefe da Necton, contou à Inteligência Financeira que a partir de novembro a corretora passa a recomendar mais exposição à renda fixa.

Nessa classe de ativos o investidor pode montar uma cesta variada. O instrumento mais indicado é o Tesouro Selic. Para o perfil conservador, que não investe em renda variável, a recomendação para outubro é de alocação de 45% do patrimônio nesses ativos.

O crédito privado também pode entrar na carteira, com exposição a LCI ou LCA, investimentos isentos de imposto de renda. Os CDBs também podem entrar na cesta. Eles são a opção número um de Michael Viriato, fundador da Casa do Investidor, de agentes autônomos de investimento, por trazer maior rentabilidade e trazer a garantia do FGC para aportes menores que R$ 250 mil. 

Para quem quer se proteger da inflação no longo prazo, os títulos do Tesouro IPCA podem ser uma boa. Eles pagam um prêmio além da inflação no fim da aplicação. 

Independentemente da sua escolha, lembre-se que a poupança ainda é muito comum, mas não é recomendada por especialistas. O instrumento perde ainda mais atratividade na comparação com outros investimentos quando a Selic sobe. 

Renda variável 

Ela aparece nas carteiras do investidor de perfil moderado, que aceita pequenas doses de risco. Com o momento complicado, a recomendação é diminuir a exposição, mas não deixar de buscar oportunidades na Bolsa. Bruna Marcelino diz que agora “o investidor precisa ser mais seletivo”, mas ainda há bons investimentos em ações.

Se o foco não está no longo prazo, alguns setores devem ser evitados, como o varejo. Com o crédito mais caro, as varejistas tendem a ver suas vendas desacelerar. As empresas de construção civil também tiveram suas ações penalizadas com o cenário difícil. A pressão no setor vem da inflação, com o custo da construção subindo, e da Selic, que encarece o crédito, dificulta as vendas e espreme as margens das empresas.

Para o investidor que foca no longo prazo, o desconto recente nas ações desses setores pode ser uma oportunidade de compra. Ele compra Magazine Luiza, Via, Eztec ou Cyrela agora, com o preço descontado, e vende quando o cenário for mais favorável para essas companhias. 

Por outro lado, as empresas com clientes fora do Brasil tendem a se beneficiar no curto e médio prazo. As ações da JBS, empresa que tem a maior parte de sua receita em dólar, dispararam 80,6% nos últimos 12 meses. As concorrentes Minerva e Marfrig também se beneficiam da desvalorização do real. O setor de papel e celulose também fica atraente enquanto o dólar sobe. Klabin e Suzano são as representantes do segmento no Ibovespa. Além da alta do dólar, as brasileiras com receita dolarizada são boas opções porque não dependem apenas da demanda do Brasil. 

Offshore 

O investidor arrojado pode pensar em aumentar a dolarização da carteira. Com a desvalorização do real, é um investimento de contenção de perdas. Ele pode vir em pequenas doses para compensar eventuais perdas com a Bolsa brasileira, por exemplo. Aqui, temos fundos cambiais que investem em dólar. A Necton recomenda que 5% do patrimônio do investidor arrojado seja investido na divisa. Para isso, sugere o fundo cambial da Mapfre, que tem investimento mínimo de R$ 500. 

“Temos um risco fiscal muito aparente aqui e isso tende a deixar o dólar cada vez mais valorizado, então acho que a exposição pode começar com pelo menos 5%”, diz Danielle Lopes, sócia da Nord Research. 

O investimento offshore também pode acontecer através de fundos que tenham alocação lá fora ou BDRs. Outra opção é buscar fundos de índices dos Estados Unidos, como o iShares Core S&P 500 ETF, recomendado por Danielle Lopes.


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