Por que você deve começar a aprender sobre gestão quantitativa?

Os algoritmos já administram R$ 20 bilhões em investimentos; a versatilidade dos robôs ajuda as gestoras na escolha de ativos e validação de teses

Os robôs invadiram o mercado
– Ilustração: Renata Miwa

Pontos-chave

  • A abordagem que usa algoritmos permite uma diversificação mais ampla
  • É possível usar gestão quantitativa em várias situações e mercados

Muitas empresas se orgulham de ter uma gestão baseada em dados. Há um território já maduro que tenta usá-los da melhor maneira para apoiar decisões. No mercado financeiro, os dados estão por toda parte, mas profissionais da gestão quantitativa foram além e se especializaram em organizar essas informações e desenvolver algoritmos que tomam decisões ou ajudam gestores na tomada de decissão.

Os fundos quantitativos do Brasil já têm R$ 20 bilhões sob gestão, mas a abordagem não se limita às ordens de compra e venda. Também é possível usar algoritmos para ajudar os humanos na gestão do dinheiro de investidores. Quem já tem renda variável na carteira precisa ficar de olho nessa tendência, porque essa abordagem só deve crescer nos próximos anos. 

Especialistas no assunto falaram sobre os poderes da gestão quantitativa no evento online Perspectivas e Desafios para 2022, promovido pela Itaú Asset e listamos três motivos para ficar de olho nessa abordagem; confira:

Diversificação 

Há infinitas formas de programar um algoritmo investidor. Enquanto uns compram commodities e seguram o ativo por muito tempo, outros podem focar em arbitragem estatística e ficar com um ativo “na mão” por minutos. Portanto, o que os gestores fazem é usar algo que parece complicado para muita gente – robôs, algoritmos, programação, dados – para seguir uma regra básica dos investimentos: não colocar todo o patrimônio em um lugar só. 

Rodrigo Chicarolli, porfolio manager, explica que a diversificação da gestão quantitativa acontece em três etapas: a tradicional, com investimentos em várias classes de ativos e níveis diferentes de risco; a diversificação de modelos, com robôs investindo em fatores como momentum (indicador que mede quanto o preço de uma ação mudou durante um certo período) e volatilidade; enquanto a última etapa traz a preocupação de como implementar a estratégia: quando o robô vai comprar ou vender? Quanto ele vai comprar? 

Para o especialista, a última etapa é a mais difícil e importante: “é onde está o processo gerador de alfa”, diz Rodrigo. Ele ainda explica que não é preciso escolher o melhor modelo, mas pensar em diferentes modelos como um fator de diversificação. Se aprovado nos testes, ele pode ser implementado. “É como pensar em 20 pessoas comprando ações do Ibovespa: há quem só compra, quem vende, quem só opera às quartas-feiras. Essas pessoas terão resultados diferentes e todos podem ser positivos”, explica Rodrigo. 

Aplicabilidade

A gestão quantitativa não é algo exclusivo dos fundos quantitativos. Ela já está em lugares onde o investidor pode até não ver. Gestores tradicionais têm usado essa abordagem para validar suas teses de investimento. “Um médico usa exames para apoiar sua decisão sobre um tratamento, é a mesma coisa que gestores tradicionais estão fazendo: usando gestão quantitativa para embasar o que está vendo e tomar decisões mais assertivas”, explica Victor Dweck, gestor e cofundador da Quantamental.

“A aplicabilidade é um dos grandes atrativos (da gestão quantitativa) porque você pode testar a mesma tese em vários mercados”, diz Leo Muller, Portfolio Manager na Itaú Asset. Ou seja, uma tese de investimento que deu certo em ações do Ibovespa pode ser testada no mercado de commodities, por exemplo. Isso não quer dizer que ela será vencedora em outro mercado, mas diz sobre a capacidade dessa abordagem de criar possibilidades com tecnologia e dados. 

Essa versatilidade que os algoritmos oferecem está ajudando as gestoras comandadas por humanos nas escolhas de ativos e validação de teses de investimentos. A equipe de Leo Muller é responsável por apoiar outros gestores dentro da Itaú Asset, o que mostra como a gestão quantitativa cresce além do que os números mostram. 

Crescimento 

Um dos fatores que torna importante o olhar de investidores para a gestão quantitativa é o crescimento que fundos e times dedicados à abordagem estão experimentando nos últimos anos. A tendência é que eles apareçam cada vez mais no dia a dia do investidor, por isso é bom ficar de olho no que está acontecendo nesse mercado. 

Dados da Itaú Asset e Quantum Finance mostram que o mercado de gestão quantitativa cresceu 20 vezes desde janeiro de 2018. Segundo a Itaú Asset, os fundos quantitativos têm apenas 0,3% do capital sob gestão de fundos brasileiros, o que mostra que ainda há muito espaço para crescimento.


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