Veja as 10 ações recomendadas por especialistas para investir em agosto

Fim do ciclo de alta da taxa Selic pode ser boa notícia para os ativos locais

O que o investidor Pessoa Física pode fazer para potencializar os ganhos na Renda Fixa e na Renda Variável?
– Ilustração: Marcelo Andreguetti

Pontos-chave

  • Aperto monetário nos EUA e chance de recessão global estão no radar dos investidores
  • Início da campanha eleitoral pode trazer mais volatilidade

Depois de fechar julho com uma valorização de quase 5%, o Ibovespa tenta avançar com firmeza acima dos 100 mil pontos em agosto. No radar dos investidores, novamente predominam as decisões sobre os juros no Brasil e nos Estados Unidos. Aqui, a expectativa é pelo fim do ciclo de altas da taxa Selic. Lá fora, diante da persistência da inflação, o temor é de um aperto monetário maior por parte do Fed. Enquanto isso, a campanha eleitoral deve começar para valer, o que pode trazer ainda mais volatilidade aos ativos negociados na B3.

Cenário do mercado de ações para agosto

Em julho, os dados do mercado de trabalho acima do esperado e o impulso do governo com a aprovação de um pacote de benefícios às vésperas das eleições motivaram uma onda de revisões positivas do PIB. Para Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos, o movimento pode favorecer o setor de consumo nos próximos meses. “Ainda preferimos ampliar a posição em shoppings do que fazer uma exposição direta, dado que não está garantido o final do ciclo de juros pelo Copom” diz.

“Os shoppings têm conseguido repassar os custos para lojistas, além de estarem apresentando um ano acima do esperado, com as pessoas priorizando a compra física do que online. Recomendamos atenção para o Copom. Caso sinalize o final do ciclo, será interessante elevar a participação diretamente em construtoras e consumo”, destaca Cruz.

Foco nas equipes econômicas dos candidatos

“Para o mês de agosto, acreditamos em um cenário neutro com um viés baixista, para o Ibovespa. Internamente, estamos cada vez mais próximos das eleições presidenciais. Ao fim de agosto, estaremos a pouco mais de 30 dias do pleito. Dessa forma, com o início oficial das campanhas eleitorais, poderemos observar, por parte das duas principais chapas, a divulgação de nomes que conduzirão ministérios importantes em caso de vitória”, relata a equipe de análises da Toro Investimentos.

“Esse cenário de indecisão tem capacidade para trazer maior volatilidade e, até mesmo, uma aversão ao risco. Nossas indicações para o mês de agosto se concentram em empresas mais estáveis, posicionadas em segmentos mais sólidos da economia. Além disso, também focamos em empresas com exposição internacional, focando na diversificação geográfica da carteira. Nosso intuito é de proteção, visando minimizar a volatilidade e a turbulência que podemos passar ao longo do próximo mês”, acrescentam os especialistas da casa.

Mesmo diante das incertezas e da volatilidade esperada, como apontam os profissionais, o investidor pode encontrar boas oportunidades para fortalecer a carteira. A Inteligência Financeira reuniu dez ações recomendadas por gestoras e casas especializadas em renda variável para agosto. Confira a seguir:

Multiplan (MULT3)

“Multiplan apresentou uma forte retomada em todas as suas frentes de operação em relação ao patamar antes da pandemia, com evolução na taxa de ocupação e uma taxa de inadimplência em queda, que resultou em um ótimo resultado financeiro. O período pandêmico ajudou a companhia a rever sua estratégia e acrescentar maior peso na vertente digital e omnicalidade, que acabam diversificando os canais de vendas e aumentando a fidelização do cliente. Fundada como uma empresa full service, a Multiplan é uma das maiores empresas de shopping centers do Brasil, responsável pelo planejamento, desenvolvimento, propriedade e administração de seu portfólio de shopping centers”, aponta Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos.

Ambev (ABEV3)

“Considerada a maior cervejaria da América Latina em vendas e uma das principais fabricantes mundiais de cerveja, a companhia atua na fabricação, distribuição e comercialização de cervejas, refrigerantes e outras bebidas não alcoólicas, com receitas geograficamente diversificadas. A Ambev está entre os 5 maiores produtores de bebidas do planeta, enquanto o Brasil está entre os 30 países que mais consomem cerveja no mundo, se beneficiando do ambiente nacional propício para o consumo de bebidas geladas e da grande demanda potencial dada a demografia brasileira. Além disso, a empresa vem se expandindo por novas geografias, aproveitando de sua expertise para se estabelecer em novos mercados mundiais. A empresa divulgou, ao final de julho, em seus resultados referentes ao 2T22 aumento de receitas, volumes de vendas, Ebtida e lucro líquido, apesar dos desafios inflacionários que pressionam as margens da empresa fazem alguns trimestres. Acreditamos que o resultado foi bom, com crescimento importante do volume orgânico produzido e na receita por hectolitro”, relata a equipe de análises da Toro Investimentos.

Lojas Renner (LREN3)

“Para agosto, decidimos incluir as ações da Lojas Renner na carteira devido à forte exposição de suas lojas aos shoppings, os quais têm observado uma melhora constante no fluxo de pessoas e no volume de vendas. Dessa forma, optamos por adicioná-la visando capturar o movimento de entrega dos seus resultados”, anotam o time de research da Ativa Investimentos.

Totvs (TOTS3)

“A companhia é líder no segmento de softwares de gestão empresarial no país e tem como propósito ‘simplificar o mundo dos negócios’, desenvolvendo, comercializando e implementando ferramentas e plataformas tecnológicas com soluções especializadas para o core business de seus clientes. Com uma base instalada de mais de 30 mil clientes, a Totvs atua principalmente no Brasil, além de presença internacional em mais de 41 países. A companhia apresenta como principais riscos dificuldades no processo de integração de empresas adquiridas; manutenção de uma oferta de soluções atrativas em um mercado em constante transformação; um aumento do churn (taxa de cancelamento) pode impactar as receitas da empresa. Em seu último resultado publicado, a companhia apresentou um Ebitda de R$ 223 milhões, em linha com os R$ 234 estimados pelo consenso e crescendo sua receita recorrente”, destaca Rodrigo Crespi, analista da Guide Investimentos.

Vibra Energia (VBBR3)

“Esperamos que a empresa se beneficie de ganhos de vendas de estoques, bons volumes e um ambiente competitivo mais saudável, garantindo resultados sólidos no segundo trimestre, considerando que os preços e volumes de combustível continuam subindo, estimulados pela diminuição da competitividade de empresas menores. Esses ventos favoráveis vêm acontecendo desde o 4T21 e devem permanecer em vigor dependendo da política de preços de combustível da Petrobras. Como uma corporation pura, reiteramos nossa visão de que uma sólida gestão é vital para os planos de crescimento da Vibra, razão pela qual a eleição de um novo CEO será um dos destaques. Mas negociando a um P/L barato de 10x em 2023E, a ação parece mais do que incorporar os riscos de execução, confirmando a nossa recomendação de compra”, avalia o BTG Pactual.

Brasil Foods (BRFS3)

“A BRF foi consolidada com a compra da Sadia pela Perdigão, anunciada em 2009. A BRF então se tornou investida da Tarpon, que tentou emplacar um novo modelo de gestão, sem sucesso. A companhia então teve um turnaround orquestrado pelo famoso executivo Pedro Parente, que enxugou a estrutura, vendeu operações e reestruturou todo o lado agribusiness do negócio. Este último foi bem sucedido. Recentemente, a BRF se tornou alvo de aquisição da Marfrig, gerando atritos entre a Previ e Marcos Molina. Hoje, Molina tem um poder decisório bem grande na empresa, atuando quase como controlador. Optamos por incluir a BRF na carteira pois é uma das poucas produtoras de commodities que não tiveram alta de preço recentemente. É claro que grãos representam o custo mais pesado da empresa, e isso pode sim pressionar margens. Mas vemos amplo poder de repasse por parte da empresa. Temos perspectiva positiva no médio prazo, conforme os números da companhia se mostrem menos deteriorados do que o esperado pelo mercado”, cita Phil Soares, chefe de análises de ações da Órama.

Hapvida (HAPV3)

“Estamos aumentando ligeiramente a exposição a Hapvida em nossa carteira, considerando nossa visão positiva sobre o papel, baseado na recuperação sequencial da sinistralidade, com a expectativa do reajuste dos preços doa planos e a normalização da pressão de custos. Ainda que o ambiente competitivo e econômico ofereça desafios para o crescimento orgânico, enxergamos uma assimetria interessante entre risco e retorno. Além disso, vemos um valuation atrativo de HAPV3 com o papel negociando a 19x P/L 2023, comparado com uma média histórica dos últimos 4 anos de 34x”, comenta a equipe de análises da Safra Corretora.

CPFL Energia (CPFE3)

“A companhia consiste em uma holding que, por meio de suas subsidiárias, distribui, gera e comercializa energia elétrica no Brasil, assim como provê serviços relacionados ao setor elétrico. A companhia atua nos Estados de São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná e Minas Gerais, que são considerados importantes polos econômicos e industriais do país. A empresa continua de olho em oportunidades de crescimento em outras frentes, embora esteja bastante concentrada, no momento, na integração dos ativos da transmissora CEEE-T, adquirida em meados deste ano. Na comparação ano contra ano, no 1º tri de 2022, a empresa teve diminuição 32 bps nas suas perdas acumuladas nos últimos 12 meses, ainda acima dos 8,24% estabelecidos pela Aneel. Quanto à performance relativa a interrupções, a empresa mostrou melhora expressiva nos indicadores, registrando duração equivalente de interrupções (DEC) de 7,38 (-6,7%) e frequência equivalente de interrupções (FEC) de 4,27 (-7,6%). As despesas com PDD tiveram piora, alcançando 0,94% (vs. 0,67% a/a e 0,78% t/t), causada pela escassez hídrica, com reajuste tarifário e maior ticket médio. A receita líquida da empresa teve crescimento de 7,6% ano a ano, Ebitda +34,4% a/a e lucro líquido em R$ 1,2 bilhão (+21% a/a)”, pontua Rodrigo Crespi, da Guide.

Localiza (RENT3)

“Decidimos incluir a Localiza em carteira devido a sua sólida gestão durante a baixa oferta de carros zero e a consolidação de negócios com a Unidas. Acreditamos que a companhia passará bem pelos processos importantes que tem pela frente, com os ganhos de sinergia e com a renovação da sua frota a partir da volta gradual da disponibilidade de carros novos, além de no processo ter ganhos relevantes com o aumento no volume de venda de seminovos”, defende o time de research da Ativa Investimentos.

Gerdau (GGBR4)

“A Gerdau é líder no segmento de aços longos nas Américas e uma das principais fornecedoras de aços especiais do mundo para o setor automotivo. No Brasil, também produz aços planos e minério de ferro. Além disso, é a maior recicladora da América Latina e, no mundo, transforma anualmente milhões de toneladas de sucata em aço. Uma agenda cada vez mais relevante aos olhos de investidores estrangeiros para determinar quais ações investir. A companhia opera usinas siderúrgicas que produzem aço por meio de redução direta de minério de ferro (DRI), altos-fornos, e fornos elétricos a arco (EAF). A companhia possui atualmente um total de 39 unidades produtoras de aço em todo o mundo. Devendo se beneficiar, diretamente, da alta nas commodities ao longo do ano”, destaca Gustavo Cruz, estrategista da RB.

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