Faça as pazes com o cartão de crédito

Usando de forma inteligente e fugindo das armadilhas, ele pode se tornar um aliado do seu bolso

Ilustração representando Flutuações de juros em Cartão de Crédito
– Ilustração: Marcelo Andreguetti/IF

Pontos-chave

  • De cada 10 famílias brasileiras, quase sete têm contas atrasadas. E o cartão de crédito aparece no topo da lista dos boletos fora do prazo
  • A falta de planejamento, os parcelamentos e a quantidade de cartões podem virar armadilhas

O coração dispara cada vez que a fatura chega. Você já pensou em jogar fora, cortar em pedacinhos, mas ainda não tem coragem de se desfazer do cartão de crédito. E se surgir uma emergência? A verdade é que, se usado da forma correta, ele pode ser um aliado e instrumento para o planejamento financeiro. 

Mas isso ainda é um desafio para muita gente. De acordo com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, 66% das famílias brasileiras estão endividadas. O cartão de crédito aparece no topo da lista, sendo citado por 80% delas.

Segundo Gisele Colombo de Andrade, planejadora financeira CFP pela Planejar, muitos se endividam depois de cair em algumas armadilhas — como a falta de planejamento, a ilusão dos parcelamentos e até mesmo a quantidade de cartões acumulados. “As pessoas acabam se descontrolando e entrando em uma bola de neve de dívidas”, ressalta. Para te ajudar a não entrar na estatística dos endividados e usar o cartão de crédito de forma inteligente, separamos algumas dicas:

Pagamento mínimo não é ajuda

O recurso disponibilizado pelas instituições pode ser uma boa saída, mas, se usado de forma errada, se torna uma armadilha. “Se você não controlar seus gastos, chegará no final do mês sem o dinheiro total da fatura. Pagando o mínimo, você tem os juros altos, o que pode fazer com que você perca o controle das suas finanças e caia no rotativo”, alerta Gisele. O pagamento mínimo só é uma alternativa se você tem certeza que conseguirá quitar a conta inteira no mês seguinte, incluindo os juros. Caso contrário, fuja dele.

Cuidado com o parcelamento

Você também deve ficar atento ao parcelamento de compras. “Nesse caso, você deixa de negociar o preço à vista e ter um desconto. Além disso, muitos acabam olhando apenas para o valor da parcela e acumulam várias compras parceladas. No final do mês, isso vira uma grande conta para pagar que se estende para os meses seguintes. Você ainda corre o risco de cair em outro perigo, o do pagamento mínimo”, explica Gisele. Evite dividir compras menores e, se optar pelo parcelamento, se certifique de que ele não prejudicará o planejamento futuro.

Estabeleça um limite

Já ouviu a expressão “Ter o olho maior que a barriga”? É assim que muitos acabam se endividando: com a facilidade dos limites do cartão de crédito. “O ideal é ter um limite de acordo com a sua renda. Se você for um profissional liberal, esse limite deve ser ainda menor, já que o orçamento pode ser mais incerto”, explica Gisele. Faça as contas, entenda seus gastos básicos, sua receita líquida e, se possível, reserve uma parte para investir. Aí, sim, defina um limite que esteja de acordo com todo seu planejamento.

Um cartão basta

O ideal é ter apenas um cartão de crédito. Aumentar essa quantidade também aumentam as chances de você se enrolar. “Os cartões acabam tendo datas de vencimento e limites diferentes, e você tem a ilusão de que pode pagar todos”, diz Gisele. Reunir os gastos em apenas um cartão te ajuda a ter o controle das contas e a se organizar melhor. “Você consegue acompanhar e fazer os cálculos do quanto terá de renda no mês seguinte e o quanto tem de contas para pagar. Dessa forma, o cartão te ajuda a ter um orçamento e uma visão geral”, explica a especialista. 

Você precisa mesmo dele?

Por último, mas não menos importante, você deve se perguntar por que deseja ter ou manter um cartão de crédito. “Ele pode ser um facilitador, substituindo o dinheiro e te ajudando a controlar as contas. Mas é fundamental entender se ele cabe nas suas finanças e se realmente é necessário. O cartão de crédito exige disciplina. Por outro lado, também tem pontos positivos, como os programas de benefícios. Tendo isso em mente, se informando e sabendo usar, ele se torna um aliado”, ressalta Gisele. 


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