Dinheiro na conta todo mês: como ter uma parte da renda vinda de dividendos

Analisar as empresas, ter paciência e fazer contas são alguns pontos importantes dessa estratégia

Como viver de renda? Como ter uma renda passiva?
– Ilustração: Renata Miwa

Pontos-chave

  • Empresas do setor de energia são boas pagadoras; já as de varejo e tecnologia, nem tanto
  • É preciso analisar e acompanhar a estratégia das empresas que distribuem dividendos

O noticiário econômico esteve recheado de manchetes sobre dividendos na última semana. Petrobras, CCR e Banco do Brasil anunciaram planos de distribuir lucro aos acionistas nos últimos dias, o que fez muitos investidores rirem de orelha à orelha. Para quem ainda não investe pensando nos dividendos que a empresa vai pagar, pode ter ficado uma dúvida: como eu começo? Por isso, a Inteligência Financeira falou com especialistas para dar dicas para quem quer começar a ter uma renda extra com dividendos. Veja abaixo sete dicas que vão te ajudar a olhar os dividendos com outros olhos: 

A empresa tem que ter resultados consistentes…

Não adianta correr atrás das manchetes e investir na última empresa que anunciou a distribuição de dividendos. O investidor precisa saber se a companhia apresenta resultados consistentes, “afinal, a distribuição de proventos só acontece se a empresa apresentar lucro”, como explica Stefany Oliveira, analista da Toro Investimentos.

… e ser consolidada em seu setor

Também é preciso entender a estratégia das empresas que distribuem dividendos. Elas estão em momentos e setores diferentes, portanto, o que faz sentido para uma nem sempre é o melhor para outra. Empresas já consolidadas em seus segmentos tendem a distribuir mais lucros, enquanto outras estão mais preocupadas em investir no próprio crescimento. 

A estratégia também pode ser diferente entre setores. O setor de energia é, historicamente, um excelente pagador de dividendos. Isso porque essas empresas operam via concessão e veem mais vantagem em atrair investidores distribuindo lucros do que em investir no próprio crescimento, já que o tamanho do investimento em infraestrutura é determinado no contrato com o Estado.

“Normalmente, empresas de crescimento, como varejistas e empresas de tecnologia pagam menos dividendos porque precisam render muito e investem em infraestrutura, tecnologia e logística”, explica Rodrigo Crespi. Entre as empresas que mais remuneram os acionistas estão as siderúrgicas, mineradoras, bancos, petroleiras e empresas de energia.

Esse tal de dividend yield

O investidor ainda precisa estar atento ao dividend yield (DY), um indicador que mede o rendimento de uma ação apenas com o pagamento de dividendos. Para calcular o DY, você vai precisar do valor de dividendos pagos por ação e o preço daquele papel em um determinado período. Depois, basta dividir os valores e multiplicar o resultado por 100 para chegar em uma porcentagem. 

Se o divend yield de uma ação é de 15% ao longo de dois anos, significa que quem investiu naquela ação nesse período teve um retorno de 15%. É importante pontuar que o DY não é a única forma de medir lucro com uma ação, porque se o preço dela subiu, você ganhou dinheiro. 

Lucro para todos

Outro indicador importante é o payout, que mostra a porcentagem do lucro que a empresa está distribuindo a acionistas. A conta é simples: valor dos dividendos dividido pelo lucro líquido da companhia. O resultado deve ser multiplicado por 100. “Qualquer coisa acima de 50% já é um ponto de atenção. É claro que é muito relativo e depende de vários fatores, como setor de atuação: uma empresa de tecnologia, que tem forte crescimento, dificilmente seria sustentável com um payout de 50%”, explica Rodrigo Crespi, especialista de mercado da Guide Investimentos. 

O dia D

Fique de olho também no calendário de distribuição de dividendos. Quando uma empresa anuncia que vai distribuir lucros aos acionistas, divulga qual a data limite para comprar a ação e ter direito ao recebimento do provento. 

Tenha calma

Uma carteira de dividendos vencedora precisa de tempo para ser construída. “No curto prazo, o valor pago em dividendos não faz efeito real, mas, no longo prazo, os dividendos podem se transformar em fonte de renda extra, principalmente em uma carteira bem gerida”, diz a analista da Toro Investimentos. 

Invista os dividendos

Uma prática muito comum entre os investidores que têm uma carteira de dividendos é investir os rendimentos novamente em ações que pagam proventos. “Realocar o dividendo recebido em conjunto com novos aportes será fundamental para estruturação da carteira”, explica Stefany Oliveira. 


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