Educando para o consumo racional

Educando para o consumo racional (Educação Financeira 5)

Muitos pais carregam sentimentos de culpa porque não podem dar aos filhos tudo que eles pedem. A preocupação faz sentido em alguns casos. Mas é preciso verificar se os filhos realmente precisam daquilo que foi uma necessidade dos pais.

Não devemos nos entristecer se não pudermos satisfazer todos desejos de nossos filhos e mesmo algumas de suas necessidades. O mais importante pe seguir o planejamento financeiro e a prática pedagógica de educação financeira.

Por exemplo: é muito útil dizer à criança que tal coisa não pode ser comprada porque não está prevista no orçamento, sem necessidade de entrar em detalhes. Ela vai entender mais facilmente e ainda começará a compreender os conceitos de orçamento e planejamento. Mas isso deve ser feito de forma positiva: nada de “botar a culpa” no orçamento, porque dai o resultado é inverso.

Por outro lado, dizer que não tem dinheiro deve ser evitado. Quando a gente diz que não tem dinheiro nossa mente se fecha para a criatividade, para as possibilidades. Não há o que fazer. Em vez disso, estimule o espírito empreendedor, especialmente dos adolescentes, dizendo coisas como: “Faça uma lista de 5 coisas que você pode fazer, honesta e legalmente, para conseguir comprar o que você quer sem me pedir dinheiro”. A mente vai começar a trabalhar. Não precisa explicar, apenas ajude a criança/adolescente a pensar. Dizer que não tem dinheiro pode, inclusive, ser traumático, levando a criança a desenvolver uma série de sentimentos e comportamentos indesejáveis: resignação, apatia, desânimo, culpa, preocupação, revolta, etc. Falar para a criança que não tem dinheiro não vai resolver o problema de falta de dinheiro da família. Então, porque preocupá-la? Claro que ela deve saber das dificuldades da família, se elas existem. Mas é preciso facilitar a compreensão da criança. Dizer que aquilo é um gasto que não está previsto no orçamento é uma boa forma de educar sobre a importância do planejamento financeiro. Se houver participação da criança na elaboração do orçamento, ela terá a oportunidade de colocar seu desejo em discussão para o próximo mês. E a família vai discutir e aprovar, ou não, tal pleito. Esse processo vai estimulá-la à participação, à busca de alternativas para conseguir o que quer e a se tornar uma pessoa produtiva, pró-ativa e responsável.

Assim como não é indicado dar aos filhos tudo que eles pedem, mesmo quando os pais têm condições, é ainda mais contra-indicado dar sem que eles peçam. Muitos pais ficam criando “necessidades” para os filhos. No começo oferecem pequenas coisas que, à medida da idade, vão se tornando maiores e mais caras: e lá se vai o equilíbrio orçamentário. Deixe seus filhos adquirirem eles próprios suas necessidades – e não serão poucas, pode ter certeza.

© Nério Venson