Como fazer um bom orçamento doméstico

Um bom orçamento doméstico (pessoal ou familiar) pode ser bem simples. Mais importante que sua complexidade, é a forma como ele é contruído e os conceitos que lhe dão sustentação.

Um conceito fundamental é que os orçamentos foram inventados para realizar projetos, e não para cortar gastos.

Sendo assim, o foco de nosso orçamento deve ser a consecução de nossos objetivos. É claro que, se você tem uma montanha de dívidas, a prioridade é liquidá-las. Mas, não dá pra ficar só resolvendo problemas; é preciso realizar nossos sonhos. Isto é o que realmente nos dará motivação para continuar.

Outro conceito fundamental é que você deve pagar-se em primeiro lugar, quer dizer, você deve guardar uma parte da sua renda antes de começar a pagar contas do mês e gastar. Isso deve estar bem claro no seu orçamento. Faça um planejamento, decida quanto vai poupar todos os meses e não considere essa parte como renda disponível quando elaborar seu orçamento.

Há duas razões importantes para isso:

1) Não adianta tentar poupar o que sobra, porque isso não funciona.

2) Se você ajustar suas despesas à renda líquida, qualquer despesa extra fará seu orçamento “estourar”, e você começará a perder o controle. E você dificilmente realizará seus sonhos.
Por isso, um bom orçamento deve ter em sua estrutura básica três elementos: Rendas, Poupar/Investir, Despesas*.

Mais algumas dicas:

– Sua renda pode ser considerada de três formas:

1ª – Renda Bruta. É a soma de todos os seus rendimentos brutos, sem considerar descontos como INSS, IRRF, Empréstimos consignados, etc. É a renda total, como se não houve esses descontos.

2ª – Renda Liquida. É a renda bruta deduzida dos descontos compulsórios, como INSS e IRRF.
Atenção: A sua renda liquida pode não ser aquela que aparece no seu contracheque. Se você tem descontos de empréstimo, por exemplo, esse valor deve ser somado à sua renda liquida (e também lançado na parte de despesas, como gasto, para ‘fechar’ seu orçamento). Em resumo, a Renda liquida é a Renda bruta menos os descontos compulsórios (obrigatórios).

3ª – Renda Disponível. É a renda liquida deduzida dos valores que você decidiu poupar ou investir. Esse é o valor real que você deve considerar ao fazer o seu orçamento. Se você deseja poupar para realizar seus sonhos, precisa fazer essa distinção entre renda liquida e renda disponível para orçamento, e adequar suas despesas à renda disponível.

– Em relação às despesas:

1) Se você tem prestações, separe a parcela referente ao valor original daquela que se refere aos juros. Por exemplo, se você comprou um refrigerador em 20 prestações de R$ 150,00, e o valor à vista era 2.000 reais, então, em cada prestação R$ 100,00 é a parcela principal (e você deve lançar como compra de eletromésticos) e R$ 50,00 é juros (deve lançar como despesas financeiras). Fazendo dessa forma, ou seu orçamento estará lhe mostrando não só a quantidade, mas a qualidade de seus gastos, e ajudando você a eliminar os verdadeiros desperdícios de dinheiro.

2) Se precisar fazer cortes, concentre-se em eliminar os desperdícios, em vez de cortar despesas com prazer e supérfluos (leia o artigo “Supérfluos e Desperdicios”).

© Nério Venson

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