A armadilha das dívidas

Diante de tantas opções de crédito, de tanta propaganda, de tantas facilidades para pagar em prestações, criou-se uma falsa sensação de que é impossível viver sem dívidas.

Essa crença é perigosa, porque acabamos achando normal – e até vantajoso – comprar tudo a prazo e diferir o pagamento de nossas obrigações. É uma crença que nos causa cegueira, porque acabamos não vendo o quanto desperdiçamos do nosso rico e suado dinheirinho com os custos embutidos nas parcelas.

Não sou contra o crédito. Ele tem sua função. É um recurso, um intrumento. O mal está em usá-lo como “produto”. Isso mesmo, hoje em dia nós estamos “comprando crédito”. Tanto que algumas financeiras falam em “vender um crédito consignado”, “vender um financiamento de carro” e coisas semelhantes.

E o crédito é um “produto” caro, muito caro. Não é à toa que muitas lojas se tornaram “bancos”, concedendo empréstimos como qualquer outra instituição financeira. É muito mais rentável vender crédito do que vender outros produtos.
E quando vendem produtos “reais”, não querem que você pague à vista.

Ora, por que será que não? Pense bem: por que receber um pouco por mês se pode receber tudo agora, hoje? É óbvio que existe uma razão.
Não se iluda: não existe essa coisa de “10x sem juros”. Pesquise em outras lojas ou na internet: você encontrará o mesmo produto por um preço bem mais em conta.

© Nério Venson

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *