Trabalhar para quê?

Levantar às 6 horas, tomar dois ônibus para chegar ao trabalho. Trabalhar o dia todo e retornar à casa lá pelas 8 da noite. Banho, jantar, uma breve conversa com a esposa, um afago na filhinha – que já dorme – e, pronto, já é hora ir para a cama.>
Essa é a rotina de Guilherme, de segunda a sexta. Aos sábados e aos domingos faz “bico”como pintor. A jornada do fim de semana costuma ser ainda mais longa, principalmente aos sábados, quando chega em casa perto da meia-noite.

Do outro lado da cidade Ana Paula levanta-se às 5 horas. Ela mora a 15 minutos do trabalho, mas acorda cedo para estudar, pelo menos duas horas por dia. Ela se prepara para o exame da OAB, seu objetivo é prestar concurso para o judiciário.

A renda de estagiária no escritório de advocacia não é suficiente para suas despesas pessoais. Por isso ela trabalha à noite como garçonete em um bar. Depois de toda essa jornada, Ana Paula ainda tira um bom tempo nos finais de semana para reforçar os estudos para o exame da Ordem, já que não sobra dinheiro – nem tempo – para fazer um cursinho preparatório.

Duas histórias parecidas: jornada longa, trabalho duro. O que as diferencia são os objetivos dos protagonistas. Enquanto ele trabalha pela sobrevivência, ela busca a realização dos seus sonhos.

Quem está mais motivado? Quem é mais feliz?

Há duas estratégias básicas de motivação. Algumas pessoas tendem a ficar mais entusiasmadas quando precisam afastar-se de algo que não desejam: eliminar desconfortos, evitar sofrimentos, resolver problemas”. É a “motivação por afastamento”. Por exemplo, o risco de demissão pode aumentar a dedicação ao trabalho. A palavra chave é “crise”: estão sempre prontos para eliminá-la.

Outras pessoas mais são estimuladas pelo desejo de conquistar alguma coisa: realizar um sonho, atingir metas. É a “motivação por aproximação”. A possibilidade de ascensão profissional é um elemento altamente motivador. A palavra chave é “oportunidade”: a busca de novas realizações.

Usamos as duas estratégias no dia a dia. Entretanto, aprendemos, com as experiências da vida, a dar preferência a uma delas.

Quem é mais motivado: Guilherme ou Ana Paula? Quem está mais feliz?

Se vocé é motivado por aproximação, mas as circunstãncias fazem você agir motivado por afastamento, o que fazer? É uma boa pergunta.

© Nério Venson

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